O deputado federal Carlos Jordy, candidato ao Senado, apresentou nesta sexta-feira (21) uma nova manifestação ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) no processo que questiona o registro da candidatura de Eduardo Paes ao Governo do Estado. A petição, assinada pelos advogados Leonardo Almendra Honorato e Tiago Santos Silva, pede a juntada de novos documentos e registros audiovisuais aos autos e reforça requerimentos de produção de provas já formulados na Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC).
A manifestação foi protocolada no RRC nº 0601714-98.2026.6.19.0000, sob relatoria do desembargador Bruno Bordat. Entre os elementos indicados pela defesa de Jordy está uma declaração atribuída a Eduardo Paes durante sabatina na BandNews TV, na qual o candidato teria mencionado facilidade para entrar em comunidades do Estado, inclusive em locais onde outros candidatos enfrentariam dificuldades para desenvolver atividades políticas. Os advogados sustentam que a fala não deve ser interpretada isoladamente, mas analisada em conjunto com outros elementos apresentados no processo.
A nova petição também menciona registros audiovisuais que, segundo a defesa, mostram Paes participando de atos políticos ao lado do vereador de Nova Iguaçu Vaguinho Neguinho, candidato a deputado estadual pelo PRD. O parlamentar é citado no documento em razão de investigação relacionada à Operação Fora de Ordem, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Conforme destacado na própria manifestação, a condição de investigado ou alvo de diligências não representa condenação nem permite concluir responsabilidade criminal.
Segundo a argumentação apresentada por Jordy, os vídeos buscariam demonstrar a existência de uma relação política pública entre Paes e Vaguinho, enquanto outros documentos já anexados à AIRC fariam referência a possíveis relações políticas, pessoais e territoriais envolvendo pessoas mencionadas em investigações sobre organizações criminosas. A defesa pede que esses elementos sejam avaliados de maneira conjunta para verificar se há fundamento para a realização das diligências requeridas no processo.
Os advogados também associam a declaração sobre o acesso de Paes a determinadas comunidades aos demais fatos narrados na ação, defendendo que a Justiça Eleitoral aprofunde a apuração. A petição, contudo, apresenta uma tese da parte impugnante e não significa que o TRE-RJ tenha reconhecido qualquer irregularidade, ligação ilícita ou participação do candidato em atividades criminosas. Caberá ao tribunal decidir sobre a admissibilidade das provas e, posteriormente, sobre o mérito das alegações.
A manifestação retoma ainda uma comparação feita pela defesa de Jordy na petição inicial, na qual Eduardo Paes foi associado, de forma retórica, ao personagem fictício “Dom Corleone”, da obra O Poderoso Chefão. Segundo os advogados, a expressão teria sido empregada para ilustrar a tese de existência de uma extensa rede de influência política. A referência é exclusivamente uma construção argumentativa da defesa e não corresponde a uma qualificação adotada pela Justiça Eleitoral.
Ao final, Jordy solicita que sejam incorporadas ao processo a entrevista de Paes à BandNews TV e as gravações anexadas à nova manifestação, além de reiterar os pedidos de provas e diligências formulados anteriormente. O objetivo declarado pela defesa é esclarecer as circunstâncias e relações descritas na AIRC antes do julgamento definitivo do pedido de registro.
A nova petição deverá ser analisada pelo relator no TRE-RJ. Até o momento descrito nos autos mencionados, as afirmações apresentadas constituem alegações da defesa de Carlos Jordy e não conclusões judiciais sobre Eduardo Paes, Vaguinho Neguinho ou qualquer outra pessoa citada no processo. O eventual indeferimento de uma candidatura depende de decisão da Justiça Eleitoral, observados o contraditório e a ampla defesa.




