A segurança pública se consolidou como um dos principais temas da campanha presidencial e passou a ocupar lugar de destaque nas estratégias dos candidatos para conquistar o eleitorado feminino. Com as mulheres representando a maioria dos eleitores brasileiros, propostas voltadas ao combate ao feminicídio, à violência doméstica e à proteção das vítimas ganharam força nos discursos dos presidenciáveis.
O movimento ocorre em meio ao . O total representa crescimento de 4% em relação ao ano anterior e corresponde a uma taxa de 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres.
Ao mesmo tempo, pesquisas de opinião mostram que a preocupação da população com a criminalidade também aumentou. Levantamento BTG/Nexus divulgado na segunda-feira (27) revelou que a segurança pública é apontada como o principal problema do país por 30% dos entrevistados, superando inclusive a saúde pública, citada por 25%.
Violência contra a mulher entra na agenda eleitoral
O cenário levou os principais candidatos à Presidência a apresentar propostas específicas para enfrentar a violência de gênero.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, tem destacado as ações implementadas durante seu mandato. Em abril, sancionou três leis voltadas ao fortalecimento do combate à violência contra as mulheres, em uma iniciativa conjunta entre Executivo, Legislativo e Judiciário, motivada pelo crescimento dos casos registrados no país.
Em pronunciamentos recentes, Lula também defendeu o envolvimento de toda a sociedade no enfrentamento da violência doméstica e afirmou que a primeira-dama Janja da Silva tem cobrado uma atuação mais firme do poder público. Segundo o presidente, ela defende uma “luta mais dura” contra as agressões sofridas por mulheres.
As pesquisas indicam que Lula mantém vantagem entre o eleitorado feminino. O levantamento Datafolha divulgado em 24 de julho aponta que o petista registra 41% das intenções de voto entre as mulheres no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 30%.
A diferença é considerada estratégica pela campanha do senador, que busca reduzir a rejeição feminina historicamente enfrentada pelo bolsonarismo nas eleições presidenciais de 2018 e 2022.
Nos últimos meses, Flávio passou a incorporar o tema da violência contra a mulher em seus discursos. Durante manifestação realizada em março, na Avenida Paulista, afirmou que é necessário fazer uma “defesa intransigente das mulheres”.
Na mesma ocasião, declarou que elas “eram protegidas” durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e destacou ações conduzidas pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), então ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
Apesar da mudança de discurso, o senador voltou a enfrentar desgaste junto ao público feminino após a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou ter sido desrespeitada por ele. Nos bastidores, aliados discutiram a possibilidade de escolher uma mulher como candidata à vice-presidência para fortalecer o desempenho entre as eleitoras, mas a definição ainda não foi anunciada.
Outros presidenciáveis apresentam propostas
Além de Lula e Flávio Bolsonaro, outros candidatos também passaram a incluir medidas voltadas ao combate à violência contra a mulher em suas plataformas.
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que pretende, caso eleito, confiscar o patrimônio de condenados por violência doméstica e transferir esses bens às vítimas e aos filhos.
Já Romeu Zema (Novo) defende o endurecimento das penas para crimes de feminicídio, propondo a adoção de castração química e pena mínima de 30 anos de prisão, sem direito a benefícios legais.
O ex-governador mineiro, entretanto, também voltou a ser lembrado por declarações feitas em 2020, durante o lançamento do programa MG Mulher, desenvolvido pela Polícia Civil de Minas Gerais. Na ocasião, afirmou que a opressão contra a mulher é “meio que como um instinto natural do ser humano”, fala que gerou críticas de diferentes setores.
Renan Santos (Missão) também defende o aumento das penas para crimes praticados contra mulheres.
Já Augusto Cury (Avante) propõe o uso de “drones com sirene” acionados por meio de um “botão de pânico”. Segundo a proposta, os equipamentos chegariam rapidamente ao local da ocorrência para inibir agressores até a chegada das forças policiais.
Mulheres serão decisivas nas urnas
A importância desse debate é reforçada pelo perfil do eleitorado brasileiro. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 83.877.126 mulheres estão aptas a votar nas eleições deste ano, o equivalente a 52,84% do eleitorado nacional.
Em comparação com as eleições gerais de 2022, houve um crescimento de 1.503.962 eleitoras, aumento de 1,83%.
Com esse cenário, propostas relacionadas à segurança pública e à proteção das mulheres tendem a ganhar ainda mais protagonismo durante a campanha. Além de apresentar soluções para conter a escalada do feminicídio e da violência doméstica, os candidatos buscam convencer um eleitorado que representa a maioria dos votos e pode ser determinante para o resultado da disputa presidencial.




