O governo brasileiro iniciou nesta quarta-feira (13) uma rodada de negociações com representantes da União Europeia após o bloco retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao mercado europeu. A medida afeta setores estratégicos do agronegócio e envolve produtos como carne, ovos, aves, peixes e mel.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades europeias, a nova restrição sanitária passa a valer em setembro e atinge animais vivos destinados à cadeia de produção alimentar do continente europeu. O tema gerou preocupação entre representantes do setor agropecuário brasileiro e elevou a tensão comercial entre os dois blocos.
Em Brasília, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, participa de reuniões com a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf. Paralelamente, em Bruxelas, o embaixador brasileiro junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, tenta obter esclarecimentos técnicos sobre os critérios adotados pela medida.
De acordo com integrantes do governo federal, a prioridade neste momento é evitar que o bloqueio avance para outros segmentos das exportações brasileiras.
Segundo o documento divulgado pela União Europeia, a decisão está ligada ao endurecimento das regras sanitárias envolvendo a resistência antimicrobiana, considerada uma preocupação global de saúde pública.
O fenômeno ocorre quando microrganismos desenvolvem resistência a medicamentos utilizados no combate a infecções, incluindo antibióticos aplicados na produção animal.
Nos bastidores do agronegócio, representantes do setor afirmam que o tema já vinha sendo discutido desde 2023, quando autoridades europeias passaram a pressionar países exportadores sobre novas exigências sanitárias.
Fontes ouvidas pela imprensa nacional avaliam que as negociações entre Brasil e União Europeia não avançaram no ritmo esperado nos últimos anos, o que teria contribuído para a decisão anunciada nesta semana.
A medida entra oficialmente em vigor no dia 3 de setembro.
Além da justificativa sanitária, integrantes do agronegócio brasileiro avaliam que a decisão europeia pode ter relação com disputas comerciais envolvendo o acordo entre Mercosul e União Europeia.
Nos bastidores, produtores rurais e representantes do setor apontam que agricultores europeus vêm pressionando governos locais contra a abertura do mercado para produtos sul-americanos.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia enfrenta resistência em países do bloco europeu, especialmente entre setores agrícolas que alegam concorrência desigual.
A exclusão do Brasil da lista sanitária ocorreu justamente em meio ao avanço das discussões sobre a ratificação do tratado comercial.
Nos últimos meses, produtores europeus realizaram protestos em diversos países do continente contra políticas ambientais, regras agrícolas e importações estrangeiras.
O Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional de proteína animal e está entre os maiores exportadores mundiais de carne bovina, aves e outros produtos agropecuários.
Segundo integrantes do governo federal, ainda não há um cálculo oficial consolidado sobre o impacto econômico imediato da decisão europeia. Apesar disso, autoridades brasileiras demonstram preocupação com a possibilidade de novas barreiras atingirem outros setores exportadores.
O receio do setor é que novas exigências sanitárias ampliem as restrições comerciais ao agro brasileiro.
A expectativa do governo é utilizar as reuniões diplomáticas desta quarta-feira para abrir um canal de negociação técnica capaz de esclarecer os critérios adotados pela União Europeia e buscar alternativas antes da entrada em vigor da medida.
A discussão ocorre em um momento de forte tensão comercial global envolvendo segurança alimentar, sustentabilidade e regras sanitárias internacionais.
Nos últimos anos, países europeus ampliaram o rigor sobre importações agrícolas e passaram a exigir padrões mais rígidos relacionados à produção animal e ao uso de medicamentos veterinários.
O cenário gera preocupação entre exportadores brasileiros, principalmente diante da relevância econômica do agronegócio para a balança comercial nacional.
Especialistas do setor avaliam que as próximas semanas serão decisivas para definir se a medida permanecerá restrita aos produtos já citados ou se poderá atingir novas áreas das exportações brasileiras.