O cantor britânico Boy George, vocalista da banda Culture Club, provocou forte reação nas redes sociais após divulgar uma nova música em apoio a Israel. A canção, intitulada “Od Nirkod (We Will Dance Again)”, foi publicada exclusivamente em sua conta na rede X, acompanhada da mensagem “Shalom”, e não está disponível nas plataformas de streaming.
O título faz referência ao ataque do Hamas ao festival Supernova Sukkot Gathering, em 7 de outubro de 2023, que matou 378 pessoas e desencadeou a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza. A expressão também dá nome a um documentário lançado em 2024 sobre o atentado.
Na letra, Boy George rejeita as acusações de genocídio contra Israel. Um dos trechos afirma: “Você diz genocídio / Eu digo guerra / Quando você é atacado / É para isso que existe um exército.”
A posição do artista contrasta com relatórios divulgados pela ONU, pela Anistia Internacional e pela Human Rights Watch, que concluíram que há evidências de genocídio e outros crimes internacionais cometidos por Israel contra a população palestina em Gaza.
Um relatório recente de uma comissão independente da ONU afirma que autoridades e forças de segurança israelenses “deliberadamente atacaram crianças palestinas”, caracterizando atos de genocídio e outros crimes de guerra. O documento reforça conclusões apresentadas anteriormente pela comissão, segundo as quais a escala e o caráter sistemático das operações militares israelenses provocaram níveis sem precedentes de mortes, ferimentos e traumas entre crianças palestinas.
A música também menciona os ataques do Hamas e acusa artistas e ativistas de adotarem uma postura seletiva em relação ao conflito. Em outro trecho, Boy George canta que músicos estariam sendo movidos por “propaganda alimentada pela internet”.
Reação negativa nas redes
A publicação gerou uma enxurrada de críticas no X. Muitos usuários acusaram o cantor de ignorar o sofrimento da população palestina e de usar a música para justificar a ofensiva militar israelense.
Entre as mensagens, internautas lembraram o elevado número de crianças mortas em Gaza e classificaram a canção como “propaganda sionista” e “repugnante”. Outros afirmaram que Boy George comprometeu sua própria reputação ao defender Israel diante das acusações de genocídio.
Diversos comentários também resgataram o passado judicial do artista. Em 2007, Boy George foi condenado a 15 meses de prisão por manter um acompanhante masculino algemado a uma parede e agredi-lo com uma corrente metálica.
Apoio declarado a Israel
Criado em uma família católica irlandesa e sem origem judaica, Boy George tem manifestado publicamente apoio a Israel nos últimos anos.
Durante um evento relacionado ao Festival Eurovisão da Canção, em Londres, o cantor afirmou que possui amigos judeus desde a adolescência e rejeitou pedidos para romper relações com eles em razão da guerra.
Ao contrário de diversos artistas que aderiram ao movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) e passaram a evitar apresentações em Israel, Boy George recusou os apelos para deixar de se apresentar em Tel Aviv e manteve seu apoio público ao país.