O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) solicitou ao Ministério da Fazenda a liberação de mais R$ 7,25 bilhões para reforçar as linhas de crédito destinadas a empresas afetadas pelas . Segundo informações da Folha de S. Paulo, o pedido foi encaminhado à Secretaria do Tesouro Nacional na última terça-feira (14) e busca ampliar a capacidade do Plano Brasil Soberano diante da crescente demanda por financiamentos.
A solicitação ocorre em um momento de intensificação das medidas comerciais adotadas pelo governo estadunidense, que anunciou uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Segundo cálculos do governo federal, a medida afeta cerca de 18% das vendas do Brasil aos Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões em exportações com base nos dados de 2024.
Demanda por crédito cresce acima do esperado
Os recursos solicitados pelo BNDES serão destinados ao Fundo de Garantia à Exportação (FGE), responsável por financiar as operações do Plano Brasil Soberano. A iniciativa foi criada pelo governo federal para oferecer crédito em condições mais favoráveis a empresas exportadoras e fornecedores prejudicados pelas novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, além de companhias afetadas pela guerra no Oriente Médio.
Segundo o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, a antecipação dos recursos é necessária diante da elevada procura pelas linhas de financiamento.
Em documento encaminhado ao Tesouro Nacional, o banco afirma que o pedido leva em consideração a “demanda adicional prevista para as referidas linhas de financiamento”.
Inicialmente, o Plano Brasil Soberano foi estruturado para disponibilizar até R$ 15 bilhões em financiamentos. Em maio, o BNDES anunciou o aporte de R$ 6 bilhões em recursos próprios, elevando a capacidade total do programa para R$ 21 bilhões.
Mesmo assim, a procura praticamente consumiu toda a capacidade disponível. Os pedidos de crédito já protocolados somam R$ 18,4 bilhões, o que levou a instituição a solicitar a antecipação da segunda parcela de recursos prevista no programa.
Até o momento, o Tesouro Nacional já havia autorizado aproximadamente R$ 7,75 bilhões.
Nova etapa de recursos está em análise
Enquanto avaliam a liberação da nova parcela, equipes técnicas do Tesouro e do BNDES também estudam a necessidade de novos aportes para garantir recursos suficientes aos setores mais atingidos pelo aumento das tarifas impostas pelos EUA.
Pelas regras do programa, o Tesouro transfere recursos ao BNDES, que utiliza esses valores para conceder financiamentos às empresas enquadradas nos critérios estabelecidos pelo governo.
Segundo informações apuradas pela reportagem, os maiores volumes de solicitações têm partido dos setores de alimentos, fármacos, fertilizantes, minerais críticos e máquinas e equipamentos, segmentos considerados entre os mais vulneráveis às restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A estratégia do governo é evitar que empresas reduzam investimentos, interrompam projetos, diminuam a produção ou enfrentem problemas de fluxo de caixa em um cenário de maior instabilidade no comércio internacional.
FGE ganhou nova função em 2026
Os recursos utilizados pelo programa são provenientes do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), instrumento tradicionalmente empregado para oferecer garantias financeiras em operações de crédito voltadas às exportações brasileiras.
Neste ano, uma medida provisória ampliou o uso do fundo, permitindo que ele também financie diretamente as linhas de crédito do Plano Brasil Soberano. A mudança buscou acelerar a resposta do governo aos impactos provocados tanto pelo aumento das tarifas dos Estados Unidos quanto pelos efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio.
Com isso, empresas exportadoras e seus fornecedores passaram a ter acesso a financiamentos com condições mais favoráveis para capital de giro, manutenção da produção, investimentos em expansão e aquisição de bens de capital.
Procura acelerou em poucos meses
O crescimento da demanda pelas linhas de crédito tem sido constante desde o lançamento do programa.
Em maio, o BNDES informou ter recebido aproximadamente R$ 5 bilhões em solicitações de financiamento. Poucas semanas depois, esse volume subiu para R$ 8,5 bilhões. Agora, os pedidos já alcançam R$ 18,4 bilhões, reforçando a necessidade de ampliação da capacidade do programa.
Empresários e representantes do comércio exterior vinham alertando que as novas tarifas impostas pelos EUA poderiam provocar perda de competitividade, cancelamento de contratos internacionais e redução das exportações brasileiras. Em resposta, o governo estruturou um pacote de crédito para reduzir os impactos sobre empresas e preservar investimentos e empregos.
Além da ampliação das linhas já existentes, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (16) que lançará um novo programa voltado ao apoio de empresários afetados pela mais recente rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Procurados pela Folha para comentar o pedido de antecipação dos recursos, tanto o BNDES quanto o Ministério da Fazenda não se manifestaram.