O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) que lançará um programa de apoio às empresas brasileiras atingidas pelo novo tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos a produtos do país. A equipe econômica apresentou a medida como resposta para proteger exportadores e empregos diante da sobretaxa que começa a valer no próximo dia 22.
O ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disse que a iniciativa terá diferentes frentes, incluindo a diversificação de mercados, em uma nova etapa do programa Brasil Soberano. “A prioridade do governo é atender e apoiar setores atingidos pela injusta tarifa”, afirmou.
O ministério estima que as novas taxas possam afetar quase 2.400 empresas exportadoras. Elias Rosa citou, entre os segmentos expostos, madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis e mobiliário, cerâmica, calçados e açúcar.
O governo já havia anunciado em março crédito extra de R$ 15 bilhões para o Brasil Soberano, com recursos aprovados pelo Senado neste mês e administrados pelo BNDES. “O programa está gerando efeitos, o que vamos fazer é recalibrar”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao afirmar que os mecanismos de proteção a empresas e empregos já estão prontos.
Durigan afirmou que o novo reforço ainda não tem valor definido e deve ficar em “montante menor” que o pacote anterior. “A gente não tem valor ainda porque, primeiro, precisa ouvir os setores afetados”, disse o ministro, que prometeu manter os compromissos fiscais e reforçar linhas de crédito já existentes.
O Brasil continuará negociando com Washington mesmo após o anúncio do apoio interno. “O Brasil não abandona a mesa de negociação, defendemos o multilateralismo”, afirmou Elias Rosa. Durigan disse que a equipe econômica se reunirá com o presidente nos próximos dias para decidir se acionará a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso no ano passado.
Nosso governo está e sempre estará ao lado do povo brasileiro. Diante de uma tarifação injusta e ilegal, seguimos firmes no apoio aos setores atingidos. Eles terão atendimento prioritário e contarão com medidas para proteger os empregos, fortalecer a produção e garantir que quem… pic.twitter.com/pZZlZ6YQEw
— Lula (@LulaOficial) July 17, 2026
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) chamou a iniciativa de “programa de apoio” e rejeitou a ideia de retaliação contra os EUA. “A lei não é retaliatória, não há retaliação”, disse. “O que existe é reciprocidade, um instrumento jurídico e legal importante que poderá ser usada em um momento adequado.”
Durigan classificou a sobretaxa como “infundada” e disse que a medida se apoia em justificativas “inverídicas”. “Eu preciso dizer, como ministro da Fazenda do Brasil, que essa medida, baseada em motivação falsa, fere o senso, mais ainda em especial quando a oposição brasileira usa isso de muleta eleitoral sem considerar os interesses do nosso povo”, afirmou.
Alckmin também chamou a tarifa de “injusta e descabida” e citou dados norte-americanos segundo os quais os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões de superávit na balança comercial com o Brasil.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu o Pix, citado mais de 20 vezes pelo Escritório de Representante de Comércio dos Estados Unidos como uma das práticas brasileiras usadas para justificar a sobretaxa. “O Pix é, hoje, uma referência internacional, cumpre a função de dinheiro de forma digital. [Reclamar da ferramenta] seria mais ou menos como dizer que criar o saneamento básico prejudicou quem tem caminhão-pipa”, ironizou.
O Ministério do Meio Ambiente também reagiu às acusações norte-americanas de desmatamento desenfreado e exportação de madeira ilegal. O ministro João Paulo Capobianco afirmou que o trabalho de preservação do Brasil tem sido usado para validar uma barreira comercial “ilegítima” e “irregular”; em comunicado, o Planalto acusou a família Bolsonaro de colaborar para a criação do tarifaço, e a investigação comercial nos EUA começou após Donald Trump criticar processos contra Jair Bolsonaro.