O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou a interlocutores que não pretende homologar, neste momento, a delação premiada de Daniel Vorcaro nos termos apresentados às autoridades. A avaliação do magistrado é de que o empresário estaria omitindo informações consideradas relevantes sobre agentes políticos investigados no caso.
Os anexos da colaboração premiada foram entregues oficialmente na quarta-feira (6), mas, segundo informações divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a resistência de Mendonça já havia sido manifestada antes mesmo da apresentação formal dos documentos.
A operação autorizada pelo ministro contra o senador Ciro Nogueira nesta quinta-feira (7) reforçou nos bastidores a percepção de que a Polícia Federal já possui elementos suficientes para aprofundar as investigações envolvendo supostos operadores políticos ligados ao empresário.
Na avaliação atribuída ao ministro, a colaboração de Vorcaro poderá se tornar dispensável caso continue apresentando informações consideradas superficiais ou incompletas pelos investigadores.
Com o impasse envolvendo a delação, Daniel Vorcaro pode permanecer preso por mais tempo. O ministro André Mendonça também analisa um pedido da Polícia Federal para que o empresário seja transferido da Superintendência da PF para o Complexo da Papuda, em Brasília.
Atualmente, o dono do Banco Master está detido nas dependências da corporação federal, mas investigadores defendem a mudança para o sistema penitenciário do Distrito Federal.
Caso o ministro decida rejeitar oficialmente o acordo de colaboração, a defesa ainda poderá recorrer à Segunda Turma do STF. Mendonça, porém, não possui prazo definido para concluir a análise e pode postergar a decisão enquanto aguarda uma eventual ampliação das informações apresentadas.
Uma das expectativas das autoridades era que Daniel Vorcaro aprofundasse detalhes sobre sua relação com Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado. Segundo relatos de bastidores, isso ainda não teria ocorrido na profundidade esperada pelo Supremo e pela investigação.
O ministro André Mendonça também teria protagonizado discussões duras com advogados do empresário durante negociações relacionadas à colaboração premiada.
No caso envolvendo Ciro Nogueira, investigadores avaliam que as informações apresentadas por Vorcaro ficaram abaixo do material já reunido pela Polícia Federal.
A PF apura suspeitas de pagamentos mensais realizados por Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, em favor do senador. Os valores investigados teriam começado em R$ 300 mil e posteriormente chegado à faixa de R$ 500 mil mensais.
As investigações seguem em andamento sob supervisão do STF.