A Polícia Federal cumpriu nesta terça (4) um mandado de busca e apreensão na residência, em Brasília, do advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A medida faz parte de uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro associadas a fraudes em descontos indevidos de benefícios do INSS.
A relação entre Tomaz e Flávio Bolsonaro é pública. Durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, em 2021, o senador se referiu ao advogado como “meu amigo”. Quatro anos depois, os dois viajaram juntos para a Flórida, nos Estados Unidos, em um jatinho pertencente aos donos do laboratório União Química.
Em janeiro de 2025, no fim de semana que antecedeu a posse de Donald Trump, Flávio e Tomaz estiveram em uma sala reservada do Hard Rock Hotel & Casino, em Miami. O senador acompanhou o advogado até o caixa por volta das 6h30, quando Tomaz retirou US$ 236 mil (cerca de R$ 1,2 mil) em dinheiro vivo.
O advogado também mantém proximidade com o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Familiares do parlamentar foram alvo das medidas cumpridas pela PF nesta terça, e a aeronave de Tomaz aparece na explicação apresentada por sua defesa para a busca.
Antes da Operação Sem Desconto, Tomaz foi investigado em um desdobramento da Lava Jato. Ele chegou a ser preso preventivamente em 2017 após citações de executivos da J&F, mas a Justiça rejeitou a denúncia por falta de provas.
Na ocasião, ele foi acusado de atuar como intermediário para subornar o procurador da República Ângelo Goulart Vilela, apontado como um “infiltrado” da empresa para repassar informações sigilosas da Operação Greenfield. Tomaz alegou que foi alvo de uma armadilha armada por Joesley Batista para obter benefícios em acordo de delação.
Dois anos depois, em 2019, ele foi denunciado pelo crime de denunciação caluniosa contra o promotor de Justiça Diaulas Costa Ribeiro. Ele foi acusado de usar falsamente o sistema eletrônico da OAB-DF (Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal) em nome de um médico para registrar uma queixa falsa de que o promotor teria pedido uma propina de R$ 300 mil.
O advogado também está envolvido na disputa da mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões em Angra dos Reis (RJ) com o jogador Richarlison, do Tottenham. Em 2020, uma empresa ligada ao atleta, a Sport 70, adquiriu os direitos do imóvel.
No ano seguinte, Flávio visitou a mansão com o amigo e Tomaz passou a reivindicar a posse e ocupação sobre o imóvel por meio de sua empresa, a WT Administração de Imóveis. Em 2022, uma decisão judicial determinou a reintegração de posse em favor do grupo do advogado.
A defesa de Richarlison desistiu oficialmente do caso em agosto de 2025, mas ele fez um desabafo em julho deste ano, dizendo que investiu R$ 10 milhões e “simplesmente tomaram” a mansão dele.
A operação desta terça
Willer Tomaz aparece em um relatório da PF que reúne movimentações financeiras classificadas pelos investigadores como atípicas. O documento aponta transações atribuídas ao advogado que somaram R$ 45,5 milhões entre maio e novembro de 2021.
Os investigadores também registraram uma transferência de R$ 120 mil feita por Tomaz, em 2021, a Milton Salvador de Almeida Júnior. Ele é investigado por suposta participação no esquema e depois se tornou diretor de empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado pela corporação como principal operador das fraudes.
A defesa afirmou que a busca ocorreu exclusivamente porque Tomaz é proprietário da aeronave usada por Weverton Rocha em uma viagem pública. Os advogados alegam que o empréstimo teve caráter pessoal, sem relação com os fatos apurados, e dizem que ele não é investigado na Operação Sem Desconto nem possui vínculo com as fraudes no INSS.
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