A Polícia Federal afirmou em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a mansão utilizada pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA), no Lago Sul, em Brasília, foi adquirida pelo advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL). O imóvel é avaliado em R$ 6 milhões e integra a apuração sobre lavagem de dinheiro ligada a fraudes em descontos de benefícios do INSS.
Segundo a PF, a empresa WT Administração de Imóveis e Bens S/A, vinculada a Tomaz, comprou a casa em abril de 2023. Os investigadores apontam que Weverton participou de tratativas para a aquisição do imóvel, embora a compra tenha ficado formalmente em nome da sociedade ligada ao advogado.
“A dissociação entre a titularidade registral e o alegado domínio econômico constitui um dos pontos centrais da apuração”, escreveu a PF no documento encaminhado ao ministro André Mendonça, do STF.
Os investigadores também afirmaram que Willer Tomaz “funcionaria como verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” para beneficiários do esquema sob investigação. O relatório cita o senador entre os possíveis beneficiários dessa estrutura.
Operação apura lavagem de dinheiro em fraudes contra beneficiários do INSS
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (4) para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro entre os fatos examinados na Operação Sem Desconto. A corporação apura movimentações financeiras e patrimoniais que poderiam ocultar a origem e a destinação de recursos.
A investigação identificou indícios do uso de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie. Esses mecanismos, em tese, teriam servido para dissimular valores relacionados às fraudes nos descontos previdenciários.
Em nota, Willer Tomaz declarou que a busca e apreensão decorre exclusivamente de ele ser o proprietário da aeronave usada por Weverton Rocha em uma viagem particular já conhecida publicamente. O advogado afirmou que não é investigado na Operação Sem Desconto e negou vínculo com as fraudes em descontos previdenciários.
Tomaz disse que disponibilizou a aeronave em caráter “pessoal e amistoso”, sem relação com os fatos investigados. Ele afirmou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e declarou confiar na apuração dos fatos.