O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), saiu em defesa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o Tribunal Superior Eleitoral rebater declarações do senador sobre o sistema eleitoral brasileiro e republicar um desmentido envolvendo as urnas eletrônicas e a empresa venezuelana Smartmatic.
Em entrevista publicada nesta quarta-feira (22), Cabo Gilberto afirmou que a manifestação de Flávio está amparada pela liberdade de expressão e classificou a fala do senador como compatível com o debate democrático. “Declaração totalmente normal dentro do campo democrata e direito. Em uma democracia plena ninguém está sujeito a críticas. Ou melhor, ninguém pode deixar de ser criticado”, disse ao Correio Braziliense.
O deputado também sustentou que qualquer cidadão pode questionar instituições em uma democracia. “Eu posso questionar o que eu quiser em uma democracia. E a fala do senador foi nesse sentido”, afirmou o parlamentar, ao criticar a reação ao posicionamento do pré-candidato à Presidência.
Cabo Gilberto retomou críticas à condução das eleições de 2022 e à situação do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Todos nós sabemos o que aconteceu nas eleições de 2022. Onde um lado podia tudo e o outro lado não podia nada. O jogo não foi correto”, declarou. Ele também disse que Bolsonaro “está preso, sendo torturado diariamente pelo Estado brasileiro” e citou a inelegibilidade do ex-presidente.
Defesa pública contrasta com preocupação interna
Apesar da reação de aliados em defesa de Flávio, integrantes da ala bolsonarista avaliaram reservadamente que a estratégia pode impor custos políticos ao senador. A preocupação é que ele retome uma pauta associada à condenação de Jair Bolsonaro pela Justiça Eleitoral.
Um interlocutor ligado ao grupo afirmou que “Flávio está errando em fazer o que deixou o pai inelegível”. Outro avaliou que “isso fragiliza a campanha”, especialmente no momento em que o senador tenta ampliar sua base para além do eleitorado mais fiel ao bolsonarismo.
O professor de Direito Eleitoral da PUC-SP Roberto Beijato Júnior avaliou que as declarações de Flávio estão protegidas pela liberdade de expressão e, em tese, não configuram irregularidade eleitoral. “Do ponto de vista legal e constitucional, criticar as urnas eletrônicas, apontar possíveis falhas ou o que quer que seja está dentro da liberdade de expressão, não só de qualquer pré-candidato ou candidato, mas de qualquer cidadão”, disse.
Beijato ponderou que existe insegurança jurídica diante da interpretação adotada pela Justiça Eleitoral nos últimos anos, mas afirmou que o pedido de ampliação de missões internacionais de observação eleitoral tem respaldo em resolução do próprio TSE. Para ele, a Justiça Eleitoral costuma identificar problema quando há divulgação deliberada de fatos sabidamente falsos; na avaliação do professor, esse não foi o caso das declarações de Flávio Bolsonaro.