A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realizará nesta terça-feira (12) uma reunião do colégio de líderes em meio ao aumento das tensões políticas dentro do Parlamento fluminense. Nos bastidores, deputados apontam que o encontro deve discutir principalmente o caso envolvendo o deputado Thiago Rangel (Avante) e a pressão por mudanças na composição das comissões permanentes da Casa.
A movimentação ocorre após o acirramento das disputas internas registrado desde a eleição do presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL). Partidos da base governista articulam uma revisão na distribuição dos espaços ocupados pela oposição nos colegiados permanentes.
O debate ganhou força depois do boicote da oposição durante a eleição da presidência da Assembleia. Desde então, parlamentares aliados ao governo passaram a defender uma readequação das comissões com base no tamanho atual das bancadas partidárias.
Atualmente, partidos de oposição como Psol, PT, PSB, PCdoB e PSD comandam juntos 12 comissões permanentes dentro da Casa.
O PL já apresentou formalmente à Mesa Diretora um pedido para revisão da composição dos colegiados. O argumento da legenda é de que a divisão dos espaços precisa respeitar a proporcionalidade das bancadas, conforme previsto no regimento interno da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Durante a janela partidária, o partido ampliou sua bancada de 18 para 23 deputados estaduais, fortalecendo o discurso interno de que a sigla deveria assumir mais posições estratégicas nas comissões.
Apesar da pressão política, integrantes da base avaliam que não existe ambiente favorável para mudanças profundas neste momento da legislatura.
Segundo parlamentares ouvidos nos bastidores, o entendimento predominante é de que alterar a composição das comissões em pleno ano eleitoral poderia ampliar a crise política dentro da Casa.
Um deputado ligado à base afirmou que o presidente Douglas Ruas deve consultar a Procuradoria-Geral da Alerj antes de qualquer decisão definitiva sobre o tema. Ainda assim, a tendência seria deixar a discussão “em banho-maria”.
Deputados lembram que a única alteração recente em comissão ocorreu na Comissão de Orçamento, quando Gustavo Tutuca (PP) assumiu a vaga anteriormente ocupada por André Corrêa (PSD).
Segundo parlamentares, a mudança foi considerada legítima porque o espaço originalmente pertencia ao PP, e o então ocupante havia mudado de partido durante a janela partidária.
Nos bastidores, deputados afirmam que uma nova disputa por espaços neste momento poderia comprometer o funcionamento das comissões permanentes da Alerj em meio às articulações políticas para as eleições de 2026.
A possibilidade de revisão dos colegiados provocou reação imediata da oposição.
A líder do Psol na Alerj, Renata Souza, classificou a articulação como uma “péssima surpresa” e afirmou que uma eventual mudança poderia aprofundar a crise política no Legislativo fluminense.
Segundo a parlamentar, setores da base tentam aproveitar o atual cenário político para reduzir a influência da esquerda dentro da Assembleia.
A líder do PT, Marina do MST, também criticou a movimentação e afirmou que a proporcionalidade não pode ser usada para enfraquecer a atuação das bancadas minoritárias.
Ela declarou que a democracia dentro do Parlamento depende da pluralidade e do respeito à representação política das diferentes correntes partidárias.
A atual configuração dos colegiados permanentes foi construída durante os acordos políticos firmados ainda na reeleição de Rodrigo Bacellar para a presidência da Alerj.
Na ocasião, o Psol ampliou sua participação nas comissões após apoiar a permanência de Bacellar no comando do Legislativo estadual.
Uma das mudanças daquele período foi justamente a criação da Comissão de Legislação Participativa, implantada para contemplar a bancada do partido.
Outro assunto que deve dominar as conversas do colégio de líderes é a situação do deputado Thiago Rangel (Avante), preso desde o último dia 5.
Além do pedido de cassação protocolado pela deputada Martha Rocha (PDT), parlamentares avaliam que acelerar qualquer decisão neste momento poderia gerar novo desgaste institucional para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Deputados lembram que o cenário atual é diferente do ocorrido durante a Operação Cadeia Velha, quando o Supremo Tribunal Federal autorizou a Alerj a deliberar sobre medidas cautelares impostas a parlamentares.
Nos bastidores, integrantes da Casa avaliam que qualquer decisão envolvendo Thiago Rangel terá impacto direto sobre a presidência da Assembleia e poderá ampliar ainda mais as tensões políticas internas em meio às articulações eleitorais para 2026.
Comissões presididas pela oposição na Alerj
PSOL
Defesa dos Direitos Humanos — Dani Monteiro
Defesa dos Direitos da Mulher — Renata Souza
Combate às Discriminações — Professor Josemar
Servidores Públicos — Flávio Serafini
Legislação Participativa — Yuri Moura
PT
Assuntos Municipais — Renato Machado
Ciência e Tecnologia — Elika Takimoto
Cultura — Verônica Lima
Segurança Alimentar — Marina do MST
PSB
Saneamento Ambiental — Jari Oliveira
PCdoB
Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social — Dani Balbi
PSD
Política Urbana, Habitação e Assuntos Fundiários — Cláudio Caiado