Um ato público contra o feminicídio marcou, nesta segunda-feira (27), o primeiro dia da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói. A mobilização reuniu a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o prefeito Rodrigo Neves, pesquisadores e representantes de instituições científicas.
Realizado no Campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense (UFF), o encontro discutiu políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres. Durante a atividade, também foi destacado que Niterói chegou a 18 meses sem registros de feminicídios.
Cármen Lúcia participou da mesa “Enfrentamento às Violências de Gênero e os Desafios Cotidianos” e afirmou que a igualdade entre homens e mulheres prevista na Constituição ainda precisa ser garantida na prática.
“A Constituição brasileira assegura a igualdade entre homens e mulheres. Nosso desafio é transformar esse princípio em realidade. Não basta que a igualdade esteja prevista na lei. É preciso que ela seja vivida no dia a dia, dentro de casa, no mercado de trabalho, na política e em todos os espaços da sociedade”, afirmou.
Niterói destaca políticas de proteção às mulheres
A presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, relacionou o período sem feminicídios na cidade ao fortalecimento de políticas públicas e defendeu que pesquisas e evidências científicas sejam usadas na formulação de medidas de proteção às mulheres.
“Niterói demonstra que essa mudança é possível ao registrar 18 meses sem feminicídios, resultado de um trabalho articulado e comprometido com a proteção das mulheres”, disse.
A secretária municipal da Mulher, Thaiana Ívia, citou entre as ações adotadas pela prefeitura o auxílio social para vítimas de violência, o aplicativo SOS Mulher e o Caminho Lilás.
Segundo a chefe da pasta, as iniciativas buscam reforçar o acolhimento, a prevenção e a garantia de direitos para mulheres em situação de violência.
“Queremos as mulheres vivas”, diz ministra
A ministra Márcia Lopes defendeu uma mobilização permanente do poder público e da sociedade para enfrentar a violência de gênero.
“Queremos as mulheres vivas. Este é um compromisso que assumimos por todas aquelas que perderam suas vidas para a violência e por todas as mulheres brasileiras que têm o direito de viver com dignidade, liberdade e sem medo”, declarou.
Também participou do ato a presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader, que cobrou maior envolvimento dos homens no combate à violência contra as mulheres.
A pesquisadora Joyce Alves, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), defendeu que as políticas de proteção contemplem mulheres negras, indígenas, transexuais e travestis.
Reunião segue até sábado
A 78ª Reunião Anual da SBPC segue até sábado (1º), no Campus Gragoatá da UFF. Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, o encontro reúne mais de 700 atividades gratuitas, entre conferências, mesas-redondas, exposições, oficinas e ações de divulgação científica.