A USP ainda não encontrou uma solução definitiva para o cercamento da Raia Olímpica, no Butantã, quase dez anos depois do anúncio da troca do antigo muro de alvenaria por painéis transparentes articulada na gestão de João Doria em São Paulo. Com informações da Folha de S. Paulo.
O trecho paralelo à marginal Pinheiros hoje combina vidros remanescentes, película plástica escura, grades metálicas e treliças de bambu. A universidade tenta criar uma barreira segura, com custo menor e menos risco para aves, que já morreram ao colidir com as vidraças.
As estruturas de bambu foram instaladas sobre parte dos painéis e das grades que substituem as placas rompidas. Funcionários da instituição relataram que os vidros quebram com a trepidação causada pelo tráfego pesado e até por tiros disparados a partir de veículos.
A proposta atual prevê que as treliças recebam trepadeiras e formem uma barreira mais visível para pássaros. A solução também reduz o custo de intervenção ao longo dos 2,2 quilômetros do canal de regatas, já que a substituição de cada folha de vidro custa cerca de R$ 4.000, segundo um servidor com acesso à manutenção.
A USP desembolsou mais de R$ 3 milhões em recursos próprios entre 2022 e 2026 para trocar parcialmente os vidros por grades metálicas e instalar o paisagismo. Enquanto as plantas não crescem, a cerca mantém aparência irregular, com materiais alternados e trechos ainda em recuperação.
O corredor verde enfrenta furtos, vandalismo, poluição atmosférica e ventos, de acordo com a Prefeitura do Campus USP. Uma pessoa que trabalha na administração relatou que, no Dia das Mães, motoristas pararam na via expressa para arrancar bromélias; a gestão afirma que intensificou a recuperação nos últimos quatro meses e prevê espécies nativas da mata atlântica e do cerrado, além de monitoramento da fauna.
O cercamento da Raia Olímpica também responde a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo contra a universidade. No fim de maio, a Justiça intimou a USP a apresentar, em 30 dias, um relatório sobre o cumprimento integral da instalação dos jardins e das tramas de bambu cobertas por trepadeiras, mas aceitou nesta semana um pedido da defesa para ampliar o prazo.
O impasse começou em 2017, quando Doria anunciou a substituição do muro por 1,3 km de painéis de vidro, sob o argumento de integrar a Cidade Universitária à capital. A obra, combinada com a direção da USP, foi orçada em mais de R$ 15 milhões e financiada inicialmente por doações de empresas; menos de duas semanas após a inauguração dos primeiros 500 metros, em abril de 2018, as placas começaram a trincar.
Depois da intervenção do Ministério Público, empresas doadoras e prefeitura se afastaram, e a USP assumiu o fracasso do modelo de vidro, passou a arcar com os custos e propôs o corredor verde. Doria não quis comentar o caso, e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do governo Tarcísio de Freitas informou que não se manifestaria porque a universidade tem autonomia orçamentária e financeira para gerir seus projetos.