A pouco mais de uma semana do encerramento do prazo para as convenções partidárias, o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enfrenta mais um obstáculo na tentativa de ampliar sua base de apoio entre os partidos do Centrão. Desta vez, o impasse envolve , onde uma disputa interna e judicial pode desfazer o acordo firmado em apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual.
O episódio expõe as divisões dentro da federação, que reúne lideranças alinhadas tanto ao campo bolsonarista quanto ao grupo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto nacionalmente União Brasil e PP caminham para uma posição de neutralidade na disputa presidencial, nos estados as divergências têm provocado embates sobre os rumos das alianças eleitorais.
No Ceará, o conflito ganhou contornos jurídicos e deverá ser decidido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE), que analisará a validade das convenções realizadas pelas duas legendas.
O diretório estadual da federação União Brasil-PP, presidido pelo ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), aprovou oficialmente o apoio à candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará durante convenção realizada no último domingo.
Na mesma ocasião, também foram homologadas as candidaturas de Capitão Wagner ao Senado, do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil) como vice na chapa de Ciro, e de Alcides Fernandes (PL), aliado de Flávio Bolsonaro, para disputar a segunda vaga ao Senado.
O acordo era considerado estratégico para o PL, que buscava ampliar sua influência em um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste por meio da aliança com Ciro Gomes.
No entanto, a definição passou a ser contestada por dirigentes estaduais do União Brasil e do PP, que decidiram realizar convenções próprias e aprovaram apoio à candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), aliado do presidente Lula.
Lideranças estaduais recorrem à Justiça
A ofensiva contra o acordo firmado pela federação é liderada pelos deputados federais Moses Rodrigues (União Brasil-CE) e AJ Albuquerque (PP-CE), que comandam os diretórios estaduais das respectivas legendas.
Os dois parlamentares mantêm boa interlocução com o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e uma das principais lideranças petistas no estado.
Eles ingressaram com ação na Justiça Eleitoral para anular a convenção promovida pela direção da federação que oficializou o apoio a Ciro Gomes. O objetivo é obter respaldo jurídico para consolidar a aliança com Elmano de Freitas.
O julgamento do caso está previsto para esta quinta-feira no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará e poderá redefinir a posição oficial da federação na disputa estadual.
PT busca ampliar base no Ceará
Caso a tese defendida pelos diretórios estaduais prevaleça, o governador Elmano de Freitas poderá ampliar ainda mais sua coalizão política.
A chapa do PT já conta com o apoio do senador Cid Gomes (PSB), que disputará a reeleição. A segunda vaga ao Senado permanece em aberto e poderá ser destinada a um partido aliado.
Entre os nomes cogitados para ocupar esse espaço estão o presidente estadual do União Brasil e a deputada federal Luizianne Lins (Rede), embora ainda não exista definição oficial.
A possível adesão da federação ao palanque petista representaria mais um revés para a estratégia nacional do PL de fortalecer alianças regionais em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Acordo nacional enfrentou dificuldades
O apoio da federação União Brasil-PP à candidatura de Ciro Gomes foi construído após negociações entre o ex-governador cearense e os presidentes nacionais das duas siglas, Antonio Rueda, do União Brasil, e o senador Ciro Nogueira, presidente do PP.
Segundo integrantes da cúpula da federação, o entendimento previa que Ciro apresentasse candidatos competitivos à Câmara dos Deputados para fortalecer a bancada das legendas no Ceará.
A principal expectativa recaía sobre Roberto Cláudio. Ex-prefeito de Fortaleza por dois mandatos e considerado uma das lideranças mais expressivas do União Brasil no estado, ele era visto como um nome capaz de impulsionar a votação da legenda para deputado federal.
No entanto, a decisão de integrá-lo como candidato a vice-governador na chapa de Ciro alterou os planos da federação e reduziu o potencial de fortalecimento da bancada federal, fator que contribuiu para o aumento das resistências internas.
Com o processo agora nas mãos da Justiça Eleitoral, o desfecho da disputa poderá influenciar não apenas a composição das alianças no Ceará, mas também a estratégia do PL para ampliar apoios regionais na reta final das convenções partidárias.




