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Em Paraty, a história do advogado que trocou a cidade pelo mar e morreu na ventania

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Em Paraty, a história do advogado que trocou a cidade pelo mar e morreu na ventania

Natural de Porto Alegre, o advogado aposentado Celsom Costa Júnior, de 62 anos, transformou um barco em sua casa para realizar o sonho de viver no mar. A trajetória, construída ao longo de anos navegando pela costa brasileira, terminou de forma trágica após o forte vendaval que atingiu o estado do Rio de Janeiro nesta semana. O corpo dele foi encontrado na manhã de quinta-feira (30), na Praia de Tarituba, em Paraty, na Costa Verde fluminense.

O desaparecimento ocorreu durante a ventania que castigou diversas regiões do estado, inclusive a Costa Verde. Segundo o Corpo de Bombeiros, Celsom foi localizado por volta das 10h30, após uma operação de buscas. Com a confirmação da identidade da vítima, subiu para três o número de mortos em decorrência do temporal, que provocou destruição, falta de energia e interrupções no transporte público.

Do Direito para a vida no mar

O desejo de viver embarcado nasceu ainda na infância, quando via o pai navegar pelo Rio Guaíba, em Porto Alegre. Anos depois, já aposentado da advocacia, Celsom decidiu mudar completamente de vida.

Há cerca de sete anos, iniciou uma viagem pela costa brasileira. Passou por Santa Catarina, Paraná e São Paulo até chegar a Paraty, onde resolveu permanecer. O barco, batizado de Avalon, deixou de ser apenas um meio de transporte e se transformou em sua residência. Era nele que pescava, tocava cavaquinho, recebia amigos e compartilhava registros da rotina nas redes sociais. A embarcação chegou, inclusive, a ganhar um perfil próprio na internet.

Dias antes da tragédia, Celsom havia viajado para Porto Alegre para visitar familiares. No domingo, retornou ao litoral fluminense depois de ser informado sobre um vazamento no barco. A intenção era realizar os reparos e retomar a rotina que havia escolhido para si.

Amigos lembram homem apaixonado pelo mar

Familiares e amigos descrevem Celsom como alguém que encontrou no mar a realização de um sonho antigo.

Segundo a prima Elisa Costa, ele carregava esse desejo desde criança e viveu intensamente a experiência de morar em uma embarcação.

A prima Elisa Costa, que mora em Curitiba, contou que a paixão pela navegação nasceu ainda na infância.

— Desde pequeno ele gostava muito do mar. Era um sonho que carregava havia muitos anos. Quando conseguiu realizar, viveu exatamente da maneira que queria. Ele era muito feliz ali — afirmou

Além da paixão pela pesca, era conhecido pelo gosto pela música, pelo churrasco e pela facilidade em fazer amizades. O amigo Luis Fernando Fabre afirmou que o Avalon representava muito mais do que um barco: era o lugar onde Celsom encontrava paz e liberdade. Nas redes sociais, dezenas de mensagens prestaram homenagens após a confirmação da morte.

O amigo Luis Fernando Fabre lembra que o barco Avalon representava muito mais do que uma embarcação para Celsom.

“Ele largou a vida urbana para viver perto do mar, que era a grande paixão dele. O Avalon era muito mais do que um barco. Era o lugar onde encontrava paz e liberdade. Todo mundo que o conhecia sabia o quanto aquela embarcação significava para ele”, revelou.

Natural de Porto Alegre, Celsom Costa Júnior deixa dois filhos, uma filha adulta e um menino, ambos moradores do Rio Grande do Sul. Familiares iniciaram os procedimentos para a despedida após a confirmação da morte.

Ventania deixou rastro de destruição

O temporal que atingiu o estado do Rio provocou rajadas de vento superiores a 100 km/h em alguns pontos, derrubou árvores, interrompeu a circulação de trens e do metrô, deixou mais de 1,6 milhão de imóveis sem energia elétrica e causou mortes em diferentes regiões fluminenses. O caso de Celsom tornou-se um dos episódios mais marcantes da tragédia provocada pelo vendaval.

  • Com informações do jornal Extra
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