A Fifa abandonou o plano de vender a investidores privados uma participação em sua nova subsidiária comercial que operaria a Copa do Mundo, segundo o New York Post. O projeto, avaliado em US$ 20 bilhões, não estaria mais ativo após uma reação internacional de dirigentes e uma crise entre os principais executivos da entidade.
A informação foi atribuída pelo jornal a quatro pessoas familiarizadas com as negociações. A agência não conseguiu confirmar o encerramento de forma independente, e a Fifa não respondeu imediatamente ao pedido de manifestação.
A proposta previa a criação da Fifa Forward Enterprise, empresa que concentraria os direitos comerciais e a operação da Copa do Mundo e de outros torneios. A entidade pretendia captar até US$ 4,2 bilhões com a venda de aproximadamente 20% da subsidiária, mantendo o controle majoritário e as decisões esportivas.
O plano provocou uma reação liderada pela Uefa. As 55 associações europeias aprovaram por unanimidade o boicote às competições da Fifa caso a operação avançasse, ameaça que alcançava a Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, os torneios de base e futuras edições do Mundial masculino.
Statement on behalf of UEFA and its 55 National Associations
— UEFA (@UEFA) July 30, 2026
A crise também chegou à cúpula da própria Fifa. Carlos Cordeiro, assessor de Gianni Infantino, deixou o cargo em protesto. O diretor de operações, Kevin Lamour, afirmou que os funcionários haviam sido “enganados” e classificou a proposta como um “projeto de uma pessoa”.
O grupo de investidores seria liderado pela Thrive Eternal, ligada à Thrive Capital, fundada por Joshua Kushner. Ele é irmão de Jared Kushner, genro do presidente estadunidense Donald Trump. A proximidade de Infantino com Trump aumentou os questionamentos políticos em torno do negócio.
Antes da notícia sobre o abandono, a Fifa havia divulgado uma nota afirmando que seguiria com a consulta às 211 associações. A entidade declarou que “ninguém está vendendo o futebol” e informou que a empresa não seria criada sem o apoio da maioria. Até o momento, porém, não houve anúncio oficial confirmando o cancelamento nem resposta da Uefa sobre o fim da ameaça de boicote.