O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), evita colocar em votação o projeto que acaba com a escala 6×1, apesar de pedidos de lideranças do governo Lula. A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados em maio, prevê jornada de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias, com dois dias de descanso.
Alcolumbre atribuiu a Lula o distanciamento que travou a relação entre o Planalto e o Senado. “A culpa é do Lula, que ficou 90 dias sem falar comigo”, disse o senador a um parlamentar influente da base governista.
O presidente do Senado e Lula retomaram o diálogo na semana passada, em um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes. Os dois devem se reunir novamente nesta quarta-feira (12), com a perspectiva de discutir pautas de interesse do governo.
Aliados descrevem o primeiro encontro como uma “lavagem de roupa suja”, centrada na rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre articulou a derrota do indicado pelo presidente no Senado.
Aliados preveem votação apenas depois das eleições
Pessoas próximas a Alcolumbre afirmam que o Senado só deve discutir o fim da escala 6×1 após as eleições de outubro, quando a disputa presidencial estiver definida. O senador sofre pressão de empresários contrários ao texto, que apontam possíveis impactos econômicos da medida.
A resistência também se relaciona ao peso eleitoral que a proposta ganhou para Lula. Pesquisa Quaest divulgada em julho indicou que 69% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, enquanto 22% se declaram contrários.
Um aliado de Alcolumbre resumiu o cálculo político do presidente do Senado: “Alcolumbre não vai dar esse presente assim de mão beijada pro Lula”. Em seguida, acrescentou que Lula precisará vencer a eleição sem a aprovação da proposta e poderá levá-la adiante depois.
O plano de governo de Lula, com 84 páginas e divulgado na semana passada, prevê manter a articulação com o Senado para aprovar o fim da escala 6×1 e reduzir a jornada para 40 horas semanais sem corte salarial. O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, chama o projeto de “eleitoreiro” e afirmou em maio que a medida pode gerar impacto de R$ 50 bilhões por ano aos municípios.