O juiz Milton Lívio Lemos Salles, afastado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) após ser filmado fumando e bebendo de uma garrafa durante uma sessão virtual, recebeu R$ 105.073,16 em rendimentos brutos em julho. Depois dos descontos, o valor líquido chegou a R$ 83.583,55.
O corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior, determinou o afastamento em 11 de agosto. A Corregedoria instaurou uma sindicância para apurar a conduta do magistrado, e o Órgão Especial do TJMG ainda analisará a decisão.
Dados do Portal da Transparência do tribunal apontam R$ 13.212,08 em vantagens pessoais, R$ 39.753,21 referentes a cargo em comissão, R$ 13.913,62 em indenizações e R$ 24.280,63 em vantagens eventuais na remuneração de julho. A folha também registra R$ 13.913,62 em gratificações.
O contracheque teve descontos de R$ 7.092,39 para a Previdência e de R$ 14.397,22 de Imposto de Renda, que somaram R$ 21.489,61. O total bruto supera o teto constitucional do funcionalismo, de R$ 46.366,19, mas o tribunal considera que parcelas legalmente excluídas do limite integram a remuneração.
O TJ/MG informou que vai apurar a conduta de um juiz visto bebendo vinho e fumando durante uma sessão de julgamento realizada remotamente nesta segunda-feira, 10. Nas imagens, o magistrado aparece levando uma garrafa à boca e, depois, acendendo um cigarro diante da câmera.
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— Migalhas (@PortalMigalhas) August 11, 2026
Vídeo interrompeu sessão com processos pendentes
As imagens da videoconferência mostram Salles fumando e bebendo diretamente de uma garrafa que aparentava conter vinho enquanto participava de uma audiência em 10 de agosto. A sessão foi interrompida quando três processos ainda aguardavam julgamento.
O TJMG informou que incluirá os casos pendentes na pauta da próxima sessão do núcleo, prevista para 28 de agosto. Os processos sob relatoria de Salles serão redistribuídos, enquanto um magistrado de primeiro grau assumirá temporariamente a substituição.
Após a repercussão do vídeo, Salles publicou outra gravação e disse ser alvo de “difamação”. Ele atacou integrantes do Judiciário e acusou de corrupção membros do TJMG, do Superior Tribunal de Justiça, do Supremo Tribunal Federal e o ministro Alexandre de Moraes.
“Quero deixar um depoimento sobre essa difamação que estão fazendo contra mim. Esse Tribunal de Justiça de Minas Gerais, esse STJ, o STF, o Alexandre de Moraes, são todos uns corruptos, filhos da puta”, afirmou o juiz. Salles atua na segunda instância da Justiça mineira, auxiliando desembargadores, e já trabalhou nas comarcas de Brumadinho, Araçuaí e Montes Claros, além de ter sido titular da 4ª Vara Criminal de Belo Horizonte.