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Após acordo entre EUA e Irã, petróleo se aproxima de cotação pré-guerra

Após acordo entre EUA e Irã, petróleo se aproxima de cotação pré-guerra
Após acordo entre EUA e Irã, petróleo se aproxima de cotação pré-guerra

Os preços internacionais do petróleo registraram forte queda nesta quinta-feira (18) após a assinatura do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, movimento que reduziu significativamente os temores sobre o abastecimento global de energia e abriu caminho para a retomada gradual do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas do planeta para o transporte de petróleo.

A reação dos mercados foi imediata. O barril do petróleo Brent, referência global para o setor, chegou a cair cerca de 3% e atingiu a faixa de US$ 77, aproximando-se dos níveis observados antes da escalada militar entre Washington e Teerã. Durante o auge do conflito, a commodity ultrapassou a marca de US$ 120 por barril, impulsionada pelo temor de interrupções prolongadas no fornecimento mundial.

O acordo firmado entre os dois países representa um ponto de inflexão para o mercado energético internacional. O entendimento prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde circulava aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo antes do início da guerra.

Mercado reage à reabertura da principal rota petrolífera

A liberação da passagem marítima é considerada um dos fatores centrais para a queda dos preços. Desde que o Irã anunciou o fechamento do estreito, após os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, os mercados passaram a incorporar um prêmio de risco elevado às cotações do petróleo.

A situação se agravou quando os próprios Estados Unidos adotaram medidas para restringir a circulação na região, ampliando as incertezas sobre o fluxo de cargas energéticas provenientes do Golfo Pérsico.

Agora, com a assinatura do acordo de paz, investidores avaliam que o risco de uma interrupção prolongada do abastecimento global diminuiu significativamente, reduzindo a pressão sobre os preços.

Os reflexos já aparecem no movimento dos navios que operam na região.

Superpetroleiros voltam a deixar o Golfo Pérsico

Dados de monitoramento marítimo apontam que três superpetroleiros controlados pela empresa saudita Bahri, que permaneciam retidos no Golfo Pérsico durante a crise, atravessaram o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira.

Além deles, um navio transportando gás natural liquefeito do Catar e um petroleiro chinês também deixaram a região, sinalizando o início da retomada das operações logísticas interrompidas pelo conflito.

A movimentação é acompanhada de perto pelo mercado, que vê nesses deslocamentos os primeiros sinais concretos de normalização do comércio internacional de energia.

Para Aldo Spanjer, chefe de estratégia de energia do BNP Paribas SA, o cenário atual é muito mais favorável do que durante os meses mais críticos da crise.

“A probabilidade de o Estreito de Ormuz permanecer aberto é agora maior do que em qualquer outro momento durante a crise”, afirmou Aldo Spanjer, chefe de estratégia de energia do BNP Paribas SA.

Apesar do otimismo, o especialista pondera que a recuperação total da atividade logística ainda exigirá tempo.

“Mesmo em um cenário ideal, serão necessários vários meses para que os fluxos de petróleo voltem à normalidade”, ressaltou.

Brent acumula perdas expressivas

O alívio geopolítico já provoca uma correção relevante nas cotações internacionais.

Os contratos futuros do Brent acumulam recuo de aproximadamente 11% ao longo desta semana, caminhando para a segunda semana consecutiva de perdas. A queda reflete não apenas o avanço das negociações diplomáticas, mas também a capacidade demonstrada pelos produtores de encontrar rotas alternativas para parte das exportações durante o período mais intenso da guerra.

Com o novo recuo registrado nesta quinta-feira, o Brent passou a ser negociado pouco mais de US$ 5 acima do valor registrado antes do início do conflito.

A marca de US$ 77 representa o menor patamar desde o início de março, quando as hostilidades ainda estavam em estágio inicial.

Por volta das 8h, o barril do Brent era negociado a US$ 78,07, com queda de 1,9%. Já o petróleo WTI, principal referência do mercado estadunidense, recuava 2,5%, sendo negociado a US$ 74,85 por barril.

Expresso Rio

Redação do Expresso Rio.

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