O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou nesta segunda-feira (11) a politização da suspensão de produtos da marca Ypê determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segundo ele, vídeos divulgados nas redes sociais estariam transformando uma medida técnica em uma disputa partidária e colocando a população em risco.
Durante entrevista à imprensa, Padilha afirmou que houve uma “enxurrada de vídeos irresponsáveis” tentando associar a decisão da agência reguladora a posicionamentos políticos por conta do histórico de apoio da empresa a campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o ministro, a medida adotada pela Anvisa foi baseada exclusivamente em critérios sanitários e em análises técnicas realizadas pelo sistema de vigilância do estado de São Paulo. Ele ressaltou que não existe motivação partidária na atuação do órgão federal.
▶️”Quem é do lado certo vai ser perseguido”, diz Véio da Havan em vídeo com o Ypê
Luciano Hang gravou um vídeo inusitado ao lado da marca de detergente Ypê misturando publicidade e política. Entre jingles e lavagem de louça, o empresário aproveitou para alfinetar o cenário… pic.twitter.com/zujAK3Hxoy
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A decisão da Anvisa ocorreu no último dia 7 de maio, quando a agência determinou o recolhimento de produtos como detergentes e sabões líquidos fabricados pela Ypê após identificar falhas no processo de produção. A medida provocou forte repercussão nas redes sociais e mobilizou apoiadores ligados ao campo conservador.
Entre os nomes que manifestaram apoio público à empresa estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo. O empresário Luciano Hang também publicou vídeos em defesa da marca.
Padilha destacou ainda que o diretor da Anvisa responsável pela área envolvida na decisão, Daniel Meirelles, foi indicado durante o governo Bolsonaro e estaria cumprindo uma função técnica dentro da agência.
Diretor da Anvisa Daniel Meirelles. Foto: DivulgaçãoSegundo o ministro, inspeções realizadas na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo, identificaram problemas no processo produtivo, incluindo a presença de uma bactéria considerada inadequada para esse tipo de produto. O cenário levantou preocupação sobre possíveis riscos de contaminação.
Padilha afirmou ainda que a própria empresa já havia identificado a presença da bactéria em lotes anteriores no fim de 2022, reforçando a necessidade de medidas preventivas e de controle sanitário.
Apesar da suspensão inicial, a Ypê recorreu da decisão e conseguiu um efeito suspensivo provisório, permitindo a continuidade da fabricação e comercialização dos produtos até nova avaliação da Anvisa. O recurso deverá ser analisado pela agência na próxima quarta-feira (13).
O ministro também fez um alerta sobre os riscos da disseminação de informações falsas envolvendo saúde pública. Segundo ele, minimizar situações relacionadas à segurança sanitária pode gerar consequências graves para consumidores.
Padilha comparou a situação à circulação de desinformação durante a pandemia e afirmou que conteúdos divulgados sem responsabilidade podem colocar vidas em risco.
▶️ O vice-prefeito de SP, Coronel Ricardo Mello Araújo, foi às redes sociais para fazer uma campanha a favor da empresa Ypê, ignorando a recomendação da Anvisa de não usar os produtos devido a suspeita de um lote contaminado com bactérias.
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— Metrópoles (@Metropoles) May 9, 2026