O X passou a restringir a recomendação de publicações feitas por contas de candidatos nas eleições brasileiras de 2026 para usuários que não seguem esses perfis. A plataforma implementou no feed “Para Você” um mecanismo denominado Brazil2026ElectionFilter, criado para adequar o sistema de recomendações às regras da Justiça Eleitoral brasileira. O próprio código aberto divulgado pelo X informa que o filtro remove da recomendação conteúdos de contas comunicadas à Justiça Eleitoral, salvo quando o usuário já segue o perfil.
A medida não representa a suspensão das contas nem a retirada das publicações da plataforma. Os conteúdos continuam disponíveis nos perfis dos candidatos e podem ser acessados normalmente pelos usuários. O que muda é a distribuição algorítmica para pessoas que ainda não acompanham essas contas. Na prática, a alteração pode reduzir uma das formas de descoberta orgânica de candidatos dentro da rede social, principalmente para campanhas que ainda possuem bases menores de seguidores.
A regra tem fundamento na Resolução TSE nº 23.610/2019, atualizada para as eleições. O § 1º-A do artigo 28 determina que provedores que utilizem sistemas de recomendação excluam dos resultados os canais e perfis informados à Justiça Eleitoral, assim como os conteúdos publicados por eles, ressalvadas as hipóteses legais de impulsionamento pago. A norma, portanto, não foi criada especificamente para o X e alcança provedores que se enquadrem nas condições estabelecidas pela regulamentação eleitoral.
A mudança ocorre justamente no início da campanha eleitoral. Pela legislação e pela regulamentação do TSE, a propaganda eleitoral passou a ser permitida em 16 de agosto, data em que candidatos puderam iniciar oficialmente pedidos de voto e outras ações de campanha autorizadas. O peso das plataformas digitais permanece relevante: pesquisa CNT/MDA divulgada neste mês apontou que 45,6% dos brasileiros pretendem utilizar as redes sociais para buscar informações sobre as eleições de 2026.
A implementação também provocou reação nos Estados Unidos. Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado para Diplomacia Pública, criticou publicamente a regra e classificou a medida brasileira como censura. A manifestação representa a posição expressada pela autoridade norte-americana, e não uma conclusão jurídica sobre a validade da resolução. O X, por sua vez, afirmou que implementou o filtro para cumprir a legislação eleitoral brasileira.
A norma não impede candidatos de publicar conteúdos nem eleitores de procurar, acessar, compartilhar ou acompanhar os respectivos perfis. A alteração está concentrada na forma como os algoritmos das plataformas distribuem automaticamente conteúdos eleitorais. Com a campanha oficialmente nas ruas e nas redes, o alcance orgânico e a capacidade de mobilizar seguidores próprios passam a ganhar ainda mais importância nas estratégias digitais das candidaturas.




