O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o venezuelano Nicolás Maduro de manipular as eleições de 2020 para se manter no Palácio de Miraflores. Em pronunciamento na Casa Branca, Trump afirmou que documentos da Agência Central de Inteligência (CIA) comprovam um plano específico para favorecer o “corrupto regime de Maduro”.
“Hoje estamos divulgando documentos que mostram que a CIA obteve relatórios de um plano específico para fazer um grande número em favor do corrupto regime de Maduro na Venezuela, e foi exatamente isso que aconteceu. Conspiraram para fraudar digitalmente as eleições do próprio país em 2020 e foi isso que fizeram”, acusou Trump.
Segundo o presidente estadunidense, o relatório incluía “detalhes precisos sobre métodos que o regime desenvolveu para alterar digitalmente os totais de votos de maneiras que não poderiam ser detectadas, mesmo com uma auditoria, não importa o quão profunda ela fosse”.
Os documentos indicam que o chavismo dispunha desde 2012 de uma máquina para alterar até 1,5 milhão de votos, com capacidade técnica para deslocar resultados em zonas de maior peso do governo. Três organismos – a Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM), o Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN) e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) – poderiam manipular resultados através de máquinas de votação pré-programadas, segundo a CIA.
Donald Trump diz que um relatório da CIA prova que Nicolás Maduro manipulou o sistema de votação eletrônico para ser reeleito em 2020. pic.twitter.com/GL5b9Flxpu
— Sam Pancher (@SamPancher) July 17, 2026
Trump alertou que estratégias semelhantes poderiam ser usadas nos Estados Unidos: “Essa inteligência ressalta por que devemos tomar medidas urgentes para garantir que nosso próprio sistema nunca, jamais, possa ser hackeado ou comprometido”.
Ele também elogiou a aproximação com a Venezuela após a ação militar que capturou Maduro no início do ano. “Vencemos na Venezuela e agora eles estão trabalhando em conjunto com Washington para disponibilizar ‘milhões e milhões’ de barris de petróleo”, disse Trump.
Fraude não comprovada
Os documentos, no entanto, não comprovam que o mecanismo tenha sido ativado nas eleições de 2012, quando Hugo Chávez derrotou Henrique Capriles, nem nas de 2013, quando Maduro venceu por margem mínima.
O quadro se altera com a Assembleia Nacional Constituinte de 2017, quando a própria Smartmatic, empresa responsável pelo sistema de votação, alertou que as cifras de participação foram inflacionadas em pelo menos um milhão de votos. Em 2024, segundo o relatório da CIA, o chavismo teria alterado diretamente os números para reverter a vitória de Edmundo González Urrutia.
Culpa da China?
Trump também acusou a China de comprometer dados eleitorais dos Estados Unidos, afirmando que Pequim teria realizado a maior violação de dados eleitorais da história, com a suposta obtenção ilícita de 220 milhões de arquivos de eleitores estadunidenses.
A Casa Branca divulgou uma página intitulada “Integridade Eleitoral”, com documentos de inteligência e uma série de alegações sobre supostas falhas no sistema de votação estadunidense. O governo dos EUA afirma que o material reúne elementos sobre vulnerabilidades em cadastros, máquinas e processos de contagem.
Entre as principais acusações, a administração Trump sustenta que a China teria realizado a maior violação de dados eleitorais da história dos Estados Unidos. O governo afirma que autoridades chinesas obtiveram de forma ilícita cerca de 220 milhões de cadastros de eleitores estadunidenses antes da eleição de 2020.
Os registros citados pela Casa Branca incluiriam nomes, endereços, números de telefone, filiação partidária e outros dados usados no cadastro eleitoral. A administração afirma que essas informações poderiam servir para registro de eleitores e outras atividades consideradas ilícitas.
A China rejeitou as acusações. “A acusação dos Estados Unidos não tem base factual”, disse o Ministério das Relações Exteriores chinês.
O governo chinês também declarou que “não tem interesse em interferir nas eleições dos Estados Unidos” e defendeu que segue o princípio da não ingerência nas questões internas de outras nações.