Daniel Pérez, indicado por Donald Trump para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, admitiu nesta quinta-feira (16) que os EUA têm um superávit “enorme” na balança comercial com o Brasil. A fala ocorreu em sabatina no Comitê de Relações Exteriores do Senado norte-americano, um dia depois do anúncio de tarifa de 25% sobre exportações brasileiras.
O senador democrata Tim Kaine perguntou a Pérez se os Estados Unidos vendiam mais ao Brasil do que compravam. “Temos um superávit, senhor”, respondeu o indicado. Kaine insistiu se o saldo positivo era “enorme”, e Pérez confirmou: “Sim, senador”.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços apontam que o superávit norte-americano em relação ao Brasil ficou em torno de US$ 7,5 bilhões no último ano, cerca de R$ 38 bilhões. O número contradiz a justificativa usual de déficit comercial que Trump costuma usar em disputas tarifárias com outros países.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos afirmou, ao anunciar a tarifa de 25%, que a medida responde a “práticas comerciais desleais” atribuídas ao Brasil. A cobrança sobre produtos brasileiros tem previsão de entrar em vigor em 22 de julho.
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— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) July 17, 2026
Governo Trump cita Pix, etanol e desmatamento
A administração Trump listou entre os pontos de atrito o Pix, problemas ligados ao combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Esses temas aparecem como justificativas do governo norte-americano para pressionar o comércio brasileiro.
Pérez afirmou na sabatina que não conhecia inteiramente a decisão do escritório comercial dos EUA. O indicado disse que a medida foi tomada enquanto ele dormia e evitou detalhar a formulação da tarifa anunciada pelo governo Trump.
Ao defender sua indicação, Pérez disse que pretende atuar na proteção de cidadãos norte-americanos, no “avanço dos nossos interesses em comércio e investimentos” e na construção de parcerias contra crimes transnacionais e tráfico de drogas. Ele também citou apoio a instituições democráticas, liberdade de imprensa e liberdade de expressão.
Trump indicou Pérez em 1º de junho para o posto em Brasília, mas ele ainda não assumiu a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O governo brasileiro ainda avalia a aprovação do nome, enquanto a diplomacia norte-americana avançou no anúncio sem cumprir etapas tradicionais, como a consulta prévia sobre o indicado antes da oficialização.