A vereadora Alana Passos (PL), da Câmara Municipal do Rio, formalizou uma denúncia no Ministério Público Federal contra a atriz Luana Piovani após declarações feitas durante entrevista ao videocast “Conversa Vai, Conversa Vem”, do jornal O Globo. As falas da artista sobre evangélicos foram classificadas pela parlamentar como possíveis manifestações de intolerância religiosa.
Durante a entrevista, concedida à jornalista Maria Fortuna, Piovani afirmou que “o evangélico de hoje é o que há de pior no ser humano” e descreveu o grupo como um “protótipo de um ser desprezível”. Em outro trecho, declarou que “a maioria dos evangélicos hoje” seria “uma raça que de amor, de Deus, de Jesus Cristo não tem nada”. As declarações rapidamente se espalharam pelas redes sociais, provocando reações de usuários e de representantes políticos.
Na denúncia encaminhada ao MPF, Alana Passos sustenta que as falas ultrapassam o limite da liberdade de expressão. Segundo a parlamentar, o conteúdo tem potencial de estimular preconceito e hostilidade contra um grupo religioso específico. O documento destaca que críticas não podem ser generalizadas a ponto de atingir a dignidade coletiva de fiéis.
A vereadora também utilizou dados do IBGE para reforçar seu argumento, apontando que os evangélicos representam 26,9% da população brasileira. Para ela, esse cenário exige maior responsabilidade em declarações públicas envolvendo religião.
O caso não ficou restrito ao Rio de Janeiro. Em Curitiba, o vereador Guilherme Kilter (Novo) também acionou o Ministério Público Federal. Ele protocolou uma notícia de fato solicitando investigação das declarações, que, segundo afirmou, podem atingir a honra coletiva dos praticantes da fé evangélica. No documento, o parlamentar classificou as falas como ofensivas e defendeu que o episódio seja analisado sob os mesmos critérios aplicados a outros casos de possível discriminação religiosa.
Durante a entrevista, Piovani contextualizou suas declarações ao falar sobre sua trajetória espiritual. A atriz contou que foi criada em ambiente evangélico por influência da avó, mas que, ao longo dos anos, passou a se interessar por outras crenças. Recentemente, relatou ter visitado um terreiro em Salvador, experiência que descreveu como marcante em sua vida pessoal.
Ao abordar o tema, a artista fez críticas ao que considera uma mudança no comportamento de parte do segmento evangélico, associando o grupo a posições políticas e à falta de tolerância com diferentes manifestações de fé. Apesar de inseridas em uma reflexão mais ampla sobre espiritualidade e identidade, as declarações geraram forte repercussão pública, ampliando o debate entre liberdade de expressão e respeito religioso.


