Pressão no BRB: PF investiga mensagens de Ibaneis Rocha

Expresso Rio
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Imagem: Reprodução

A Polícia Federal intensificou as apurações sobre a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília após analisar mensagens atribuídas ao ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha. O conteúdo indica cobrança por uma definição rápida do negócio, em meio ao aumento da pressão institucional e financeira sobre o banco público.

As mensagens analisadas pela PF apontam que, em junho de 2025, Ibaneis teria demonstrado preocupação com o desgaste provocado pela negociação. Em conversa com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o ex-governador afirmou que não suportaria prolongar a situação.

O caso envolve a tentativa de compra do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro. A investigação busca entender se houve irregularidades ou influência indevida de agentes públicos no processo.

Ibaneis confirmou que cobrou celeridade nas tratativas, mas negou qualquer interferência externa. Já Vorcaro teria relatado, em depoimentos, que manteve contato com o então governador durante as negociações versão contestada pela defesa do político.

O cenário se agravou após o Banco Central do Brasil identificar inconsistências em operações de crédito do Banco Master adquiridas pelo BRB, avaliadas em cerca de R$ 12 bilhões.

Diante das irregularidades, o Banco Central vetou a operação em setembro de 2025. Meses depois, o Banco Master entrou em liquidação após uma onda de resgates que comprometeu sua sustentabilidade.

Com o fracasso da aquisição, o BRB passou a enfrentar dificuldades financeiras, incluindo exigências mais rígidas de capital e limitações operacionais. A crise ampliou o alcance da investigação, que agora inclui possíveis responsabilidades de gestores e autoridades.

A Polícia Federal trabalha no cruzamento de dados extraídos de celulares de executivos envolvidos para reconstruir a cronologia das negociações. Entre as possibilidades analisadas está uma eventual colaboração de Vorcaro para esclarecer os bastidores da operação.

Enquanto isso, o BRB busca alternativas para reequilibrar suas finanças. O banco foi pressionado a provisionar cerca de R$ 5 bilhões e depende de aporte do governo do Distrito Federal, que ainda não foi efetivado.

A atual governadora, Celina Leão, iniciou tratativas com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e representantes do mercado financeiro.

Entre as medidas em análise está a venda da carteira de crédito do Banco Master, que pode gerar até R$ 4 bilhões. Também está em negociação um empréstimo com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), cujo valor pode chegar a R$ 6,6 bilhões.

A tentativa de aquisição fazia parte de uma estratégia de expansão do BRB, que via o Banco Master como oportunidade de crescimento no mercado financeiro. No entanto, problemas estruturais na instituição alvo e a intervenção do Banco Central interromperam o processo.

A crise subsequente expôs fragilidades na gestão e aumentou a pressão política sobre o governo do Distrito Federal.

A continuidade das investigações pode levar à responsabilização de agentes públicos e executivos, caso sejam comprovadas irregularidades.

No campo financeiro, o futuro do BRB dependerá da capacidade de recompor capital e restaurar a confiança do mercado. Caso as negociações em andamento não avancem, novas medidas estruturais poderão ser necessárias.

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