Um alerta importante para quem convive com aves dentro de casa ou realiza limpeza de ambientes com presença de pássaros: o contato frequente com fezes desses animais pode provocar doenças pulmonares graves. O aviso foi feito pela pneumologista Patrícia Andrade Meireles ao relatar o caso recente de uma paciente que desenvolveu uma infecção fúngica após exposição intensa a aves.
De acordo com a médica, o caso envolve uma mulher de 74 anos que já possuía um nódulo pulmonar antigo, monitorado há mais de cinco anos e inicialmente associado à artrite reumatoide, doença que, segundo ela, estava controlada e sem necessidade de tratamento no momento. No entanto, o quadro mudou quando esse nódulo apresentou crescimento significativo, evoluindo para uma massa pulmonar acompanhada de novos nódulos ao redor.
Diante da progressão, a paciente foi submetida a uma biópsia pulmonar. O resultado afastou a suspeita de câncer, tanto primário quanto metastático, mas revelou a presença de fungos no tecido analisado. A partir daí, a equipe médica iniciou uma investigação mais detalhada para identificar o agente causador, já que os primeiros exames não haviam conseguido especificar o tipo de fungo.
Durante a análise do histórico clínico, um detalhe chamou a atenção dos profissionais. A paciente relatou que frequentava regularmente a casa de uma parente próxima que mantinha um grande número de aves no local, incluindo mais de dez calopsitas, além da presença de pombos e até morcegos no sótão. Em uma ocasião, ela participou da limpeza desse ambiente, o que aumentou ainda mais a exposição à poeira e às fezes acumuladas.
Com base nessa informação, os médicos passaram a considerar a relação entre a exposição e a doença pulmonar. Exames sorológicos confirmaram a presença do fungo Cryptococcus neoformans, micro-organismo comumente encontrado em fezes de pássaros e conhecido por causar infecções respiratórias que podem evoluir para quadros graves.
A paciente precisou ser internada para tratamento com antifúngicos administrados por via venosa. Após a estabilização, o tratamento continuou com medicação oral, com previsão de duração entre seis meses e um ano, dependendo da resposta clínica.
A pneumologista destaca que esse tipo de infecção pode ocorrer quando partículas contaminadas são inaladas, principalmente em ambientes fechados e com acúmulo de fezes de aves. Segundo ela, pessoas que criam pássaros, trabalham com limpeza desses locais ou frequentam espaços com grande concentração de aves devem redobrar os cuidados.
Além das infecções fúngicas, a exposição constante à poeira e aos resíduos de aves também pode desencadear doenças inflamatórias pulmonares, incluindo quadros que evoluem para fibrose. Esse processo acontece quando partículas microscópicas são inaladas e se depositam nos pulmões, podendo comprometer a função respiratória ao longo do tempo.
O alerta se estende especialmente a ambientes domésticos onde aves são mantidas em grande quantidade e sem ventilação adequada. A recomendação é evitar o contato direto com fezes, utilizar equipamentos de proteção durante a limpeza e, sempre que possível, manter os animais em locais apropriados e higienizados.
Ao final, a especialista reforça a importância da prevenção: manter distância de ambientes insalubres e reduzir a exposição são medidas essenciais para evitar complicações respiratórias que, em alguns casos, podem exigir tratamento prolongado e até internação.
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