A Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro se manifestou publicamente contra declarações do ex-governador Anthony Garotinho direcionadas à advogada Juliana Bonazza. As falas, consideradas ofensivas, provocaram reação imediata de entidades jurídicas e resultaram em desdobramentos no Judiciário.
As críticas surgiram após Garotinho utilizar termos depreciativos ao se referir à advogada, incluindo apelidos de caráter pejorativo. A repercussão foi imediata entre representantes da advocacia, que classificaram o conteúdo como inadequado e incompatível com o respeito esperado no ambiente profissional.
A OAB Mulher RJ divulgou nota de repúdio, apontando que as declarações possuem viés misógino e reforçam práticas que deslegitimam a atuação de mulheres no campo jurídico. Segundo a entidade, esse tipo de comportamento ultrapassa críticas institucionais e atinge a esfera pessoal, o que deve ser enfrentado com firmeza.
Diante da situação, Juliana Bonazza buscou medidas legais. A advogada acionou o Judiciário e obteve decisão favorável para que as publicações feitas por Garotinho fossem retiradas. O entendimento judicial considerou que o conteúdo divulgado excedeu os limites da liberdade de expressão, especialmente por envolver ofensas em ambiente público e digital.
Origem da perseguição
De acordo com relatos, a situação teve início após a atuação de Juliana Bonazza em um processo de inventário ainda em curso. Uma decisão favorável ao cliente da advogada teria gerado insatisfação de uma das partes envolvidas, que passou a disseminar conteúdos considerados inverídicos em blogs e redes sociais.
A advogada afirmou que, inicialmente, evitou exposição, mas decidiu buscar apoio institucional diante da escalada dos ataques. “Não podemos naturalizar esse tipo de comportamento. Essa perseguição tem afetado de forma completamente injusta a minha vida e a da minha família”, disse.
A diretora da Mulher da OAB-RJ, Flávia Ribeiro, classificou o caso como possível exemplo de “lawfare de gênero”, quando o sistema de Justiça é utilizado para intimidar mulheres. Segundo ela, a entidade não tolerará qualquer forma de violência institucional.
Representantes da OAB em Cabo Frio também reforçaram a importância do respeito à atuação profissional. Para a presidente local, Thais Figueiredo, a advocacia é essencial à Justiça e deve ser exercida sem intimidação. Já a ouvidora da Mulher, Andrea Tinoco, alertou que casos como esse não são isolados e atingem toda a advocacia feminina.
Até o momento, Anthony Garotinho não se pronunciou oficialmente sobre a decisão judicial nem sobre as críticas feitas por entidades da classe.
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