Testemunha relata suposto uso eleitoral do programa Cheque Cidadão em 2016, com aumento de beneficiários e distribuição ligada a campanhas; Veja

Expresso Rio
3 min de leitura
Imagem: Reprodução/Redes sociais

Um depoimento prestado à Justiça trouxe detalhes sobre o suposto esquema envolvendo o programa Cheque Cidadão durante o período eleitoral de 2016. A testemunha Elizabeth afirmou conhecer os réus do processo e declarou ter participado diretamente da campanha eleitoral de uma das investigadas.

Segundo o relato, todos os citados foram candidatos naquele ano, e ela própria atuou como coordenadora na campanha de Linda Mara. Na época, Elizabeth trabalhava na Secretaria de Ação Social e Desenvolvimento Humano, onde exercia funções de atendimento ao público e também mantinha contato com parlamentares.

Durante o depoimento, a testemunha afirmou que, ao longo de 2016, houve um aumento significativo no número de pessoas incluídas no programa Cheque Cidadão. De acordo com ela, essa ampliação era perceptível internamente, embora houvesse tentativas de evitar que a situação se tornasse evidente para a população e para órgãos de fiscalização.

Ela relatou ainda que funcionários foram deslocados para atuar nos bastidores da secretaria, em horários alternativos, incluindo noites, fins de semana e feriados. O objetivo, segundo sua versão, seria manter a aparência de normalidade durante o expediente regular.

A testemunha também afirmou que as decisões relacionadas à ampliação do programa teriam partido diretamente do ex-governador Anthony Garotinho, sem participação de outras lideranças. Segundo ela, reuniões individuais eram realizadas com candidatos, nas quais se definia a quantidade de cadastros que cada um receberia, com base no potencial eleitoral de cada região.

Ainda conforme o depoimento, os cadastros eram distribuídos a lideranças comunitárias e pessoas ligadas às campanhas. Essas lideranças ficariam responsáveis por coletar documentos de moradores, como identidade, CPF e comprovante de residência, para inclusão no programa. Em troca, haveria a expectativa de apoio político.

Elizabeth afirmou que participou da organização desses cadastros, que posteriormente eram entregues na própria secretaria para processamento. Ela também descreveu a logística de distribuição dos cartões do programa, que, segundo disse, ocorria tanto dentro da secretaria quanto em encontros realizados à noite nas comunidades.

De acordo com o relato, as entregas eram organizadas por lideranças locais, com registros mantidos em cadernos para controle dos beneficiários. A testemunha destacou que algumas ações eram realizadas após as 19h, horário em que, segundo ela, haveria menor risco de fiscalização por parte da Justiça Eleitoral.

O depoimento também menciona episódios em que houve abordagem de fiscais durante as atividades, além de apontar que parte dos beneficiários não recebeu o cartão inicialmente devido à demanda elevada e ao tempo necessário para a confecção dos documentos.

O caso segue pela Justiça, que apura as responsabilidades dos envolvidos e a eventual utilização de programas sociais com finalidade eleitoral.

Partilhar este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *