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Ventania transforma volta para casa em caos e assusta cariocas; veja relatos

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Ventania transforma volta para casa em caos e assusta cariocas; veja relatos

A forte ventania que atingiu o Rio de Janeiro na tarde desta quarta-feira (29) não provocou apenas queda de árvores, danos à infraestrutura e interrupções no fornecimento de energia. O fenômeno também transformou a volta para casa de milhares de trabalhadores em uma verdadeira maratona de incertezas. Com a paralisação parcial de metrô, trens, barcas e outros modais, passageiros enfrentaram plataformas lotadas, dificuldade para encontrar ônibus ou carros por aplicativo e longos congestionamentos em diversos pontos da cidade.

A interrupção do sistema metroviário, causada pela falta de energia durante o vendaval, surpreendeu quem deixava o trabalho no fim da tarde. Em várias estações, passageiros aguardavam sem previsão de retomada do serviço enquanto buscavam alternativas para seguir viagem.

“Estamos morrendo de medo. Estou preocupada com meu filho, com meu neto. A gente só quer saber a hora que vai conseguir chegar em casa”, desabafou Maria das Graças Abaranga da Silva, funcionária de um escritório do setor de óleo e gás.

Moradora de Belford Roxo, ela ficou parada dentro de uma composição após a circulação ser interrompida e aguardava informações ao lado de colegas de trabalho.

Medo, desinformação e dificuldade para encontrar transporte

A sensação de insegurança era compartilhada por quem tentava deixar as estações. Sem informações precisas sobre a retomada dos serviços, muitos passageiros decidiram seguir a pé ou disputar espaço nos ônibus.

Foi o caso de Gláucia Nascimento Archer, de 61 anos, moradora da Tijuca, que precisou mudar os planos ao descobrir que o metrô havia parado.

“É tudo um caos. Todo mundo está com medo do vento, do que ele pode causar, e agora o transporte também virou um problema.”

Outro passageiro contou que desembarcou na estação Uruguaiana após o trem interromper a viagem por falta de energia. Do lado de fora, encontrou ruas tomadas pelo vento forte, pessoas correndo para se proteger e dificuldades para conseguir transporte.

Rebouças sem luz e trânsito intenso

Os reflexos do vendaval continuaram mesmo após o pico das rajadas. No início da noite, o Túnel Rebouças, principal ligação entre as zonas Sul e Norte da cidade, registrou falta de iluminação, aumentando a preocupação de motoristas.

Às 18h05, a travessia entre Copacabana e o Leme chegava a aproximadamente uma hora. Pontos de ônibus permaneciam lotados, enquanto diversos coletivos já circulavam sem condições de receber novos passageiros devido à superlotação.

Na orla da Zona Sul, equipes da Polícia Militar reforçaram o patrulhamento e realizaram abordagens em ônibus com adolescentes que deixavam as praias. A medida teve caráter preventivo para evitar furtos e atos de vandalismo durante o período de maior desorganização no transporte.

Cidade permanece em alerta

O Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) manteve o município em Estágio 2, indicando risco de novas ocorrências provocadas pelas condições meteorológicas. Segundo o Sistema Alerta Rio, a aproximação de uma frente fria favoreceu a intensificação das rajadas de vento, que permaneceram variando entre moderadas e muito fortes ao longo da noite.

Mesmo com a redução gradual dos impactos, o sistema de mobilidade urbana ainda operava com reflexos do temporal, enquanto milhares de passageiros enfrentavam dificuldades para concluir o trajeto de volta para casa.

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