Um homem investigado por integrar o esquema de falsos investimentos que fez uma aposentada de 70 anos perder R$ 37 milhões no Rio Grande do Sul foi preso nesta sexta (14), no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. A Polícia Federal cumpriu a prisão no momento em que ele embarcaria para Santa Catarina.
O suspeito, cuja identidade não foi divulgada, mora em Balneário Camboriú (SC) e é dono de uma das instituições financeiras investigadas na Operação Criptoabate. Em uma conta vinculada ao CPF dele, a Polícia Civil identificou movimentação de R$ 77 milhões, incluindo depósitos feitos logo após a retirada do patrimônio da vítima.
O delegado Eibert Moreira afirmou que os investigadores localizaram uma passagem comprada para o trajeto entre Rio de Janeiro e Santa Catarina. “Nós fizemos contato com a Polícia Federal, que então, no momento do embarque, executou a prisão dele”, disse.
A investigação apura estelionato por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Três pessoas foram presas em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, enquanto outros sete suspeitos continuavam foragidos.
Polícia identificou 140 possíveis vítimas em todo o país
A Polícia Civil identificou 140 possíveis vítimas da fraude espalhadas pelo Brasil. Os investigadores cumpriram 90 ordens judiciais em três estados e apuram a atuação de donos de instituições financeiras que faziam conversão de recursos para criptomoedas.
Uma das instituições sob investigação movimentou R$ 295 milhões em apenas um dia, segundo o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos. A polícia também apontou uma empresa sediada em São Paulo com movimentação atípica de R$ 500 milhões durante o período investigado.
As transações consideradas suspeitas somam R$ 30 bilhões. Entre os alvos está uma gerente de uma instituição financeira tradicional, suspeita de facilitar a abertura de contas que o grupo usava para distribuir os valores recebidos em uma primeira etapa do esquema.
A aposentada transferiu seu patrimônio durante seis meses, após receber uma herança e promessas de rentabilidade elevada. Mesmo alertada por seu corretor, ela retirou recursos de uma corretora regular e migrou os valores para a plataforma falsa, identificada pelos investigadores como TDASX, que encerrou as atividades após o início das apurações.




