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Economia

Por que carros chineses vendem em todo o mundo, exceto no país

3 min de leitura Expresso Rio
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As montadoras chinesas aceleraram a expansão internacional após as vendas de carros no mercado doméstico caírem 20% em julho, para 1,47 milhão de veículos. No mesmo mês, as exportações subiram 88%, para 923 mil unidades, pressionando concorrentes tradicionais na Europa, no Japão e no Sudeste Asiático.

A Associação Chinesa de Veículos de Passageiros registrou o décimo mês consecutivo de queda nas vendas internas. O desempenho expõe o excesso de capacidade de produção no maior mercado automotivo do mundo, enquanto BYD, Geely e Chery procuram novos compradores fora do país.

Bill Russo, presidente-executivo da consultoria Automobility, afirmou que as fabricantes chinesas reúnem “excesso de capacidade de produção, cadeias de suprimentos altamente competitivas, produtos cada vez mais sofisticados e um forte incentivo econômico para buscar crescimento fora da China”. Para ele, a internacionalização “está se tornando uma necessidade estratégica”.

A retração doméstica acompanha a desaceleração do consumo chinês e a crise persistente do setor imobiliário. Fábricas em expansão e exportações sustentam parte da atividade econômica, mas a demanda interna não absorve a quantidade de veículos produzidos.

Exportações compensam a fraqueza do mercado chinês

No primeiro semestre, as vendas de automóveis na China diminuíram 2,3 milhões de veículos, ou 20%, na comparação anual. O volume da queda equivale ao total de novos registros de carros no Japão, quarto maior mercado automotivo mundial, no mesmo período.

As exportações chinesas cresceram 71% no primeiro semestre. Os dados incluem marcas estrangeiras que fabricam no país, mas a tendência de retração de dois dígitos no mercado interno e avanço de dois dígitos nas vendas externas também atinge as empresas nacionais.

Cui Dongshu, presidente da associação de veículos de passageiros, atribuiu parte da fraqueza recente aos preços elevados dos combustíveis, que reduziram a procura por carros a gasolina, e à desaceleração prolongada entre os sedãs básicos. A analista Yuqian Ding, do HSBC, prevê estabilização da demanda entre o fim de agosto e setembro, impulsionada por novos modelos, mas descarta uma recuperação rápida.

A BYD compensou uma queda de 35% nas vendas domésticas nos primeiros sete meses do ano com alta de 79% nos mercados externos. Brasil e Reino Unido se tornaram os maiores destinos individuais da empresa fora da China em 2026.

Desde 2023, a China ocupa o posto de maior exportadora mundial de veículos, antes liderado pelo Japão. Russo avalia que a vantagem chinesa combina eletrificação, baterias, software, recursos inteligentes, escala na cadeia de suprimentos e desenvolvimento acelerado de produtos, fatores que ampliam a concorrência sobre Toyota, Volkswagen e outras montadoras estabelecidas.

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