O Senado registrou a menor proporção de candidatos negros entre os principais cargos legislativos nas três eleições realizadas entre 2014 e 2022, segundo estudo do Núcleo de Estudos Raciais do Insper.
Na eleição de 2022, candidatos pretos e pardos representaram 32,5% dos concorrentes ao Senado. A proporção foi de 48,3% na disputa para deputado federal e de 52,2% entre candidatos a deputado estadual.
O contraste é ainda maior diante da composição da população brasileira. O Censo de 2022 apontou que pretos e pardos correspondiam a 55,5% dos habitantes do país.
Entre 2014 e 2022, a proporção de candidatos negros aumentou 7,3 pontos percentuais na disputa pela Câmara dos Deputados e 6,6 pontos nas eleições para as assembleias legislativas. No Senado, o avanço foi de apenas 1,7 ponto.
O estudo também calculou um índice de equilíbrio racial, no qual resultados mais próximos de zero indicam maior correspondência entre as candidaturas e a composição da população. No Senado, o indicador passou de 0,57 para 0,56, uma variação mínima em oito anos.
Para os pesquisadores Camila Alvarenga e Michael França, o cenário está relacionado a fatores como exclusão histórica nos partidos, violência política, dificuldades para construir capital eleitoral e acesso desigual ao financiamento de campanha.
O levantamento surge enquanto dirigentes de partidos, entre eles PT e PL, discutem retirar as candidaturas majoritárias, como as do Senado, do cálculo das reservas de recursos eleitorais destinadas a negros e mulheres. O Tribunal Superior Eleitoral não comentou a articulação.