O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou nesta sexta-feira (10) as primeiras propostas de campanha após a crise política com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em evento do PL realizado em Fortaleza, no Ceará, o pré-candidato à Presidência prometeu criar vouchers para creches privadas, ampliar o microcrédito para mulheres empreendedoras e endurecer a legislação para crimes sexuais.
A agenda marcou a primeira aparição pública de Flávio no estado desde o rompimento político com Michelle. Durante todo o discurso, o senador evitou mencionar a madrasta, embora o episódio tenha sido lembrado por um aliado durante o evento.
Propostas para mulheres
Ao discursar para militantes e pré-candidatos do PL, Flávio afirmou que pretende oferecer vouchers para mães que não conseguirem vagas em creches da rede pública, permitindo o acesso a instituições privadas.
O senador também prometeu ampliar linhas de microcrédito para mulheres que desejam abrir ou expandir pequenos negócios, como comércios e salões de beleza.
Além das propostas econômicas, defendeu mudanças na legislação para que autores de crimes sexuais a partir dos 14 anos possam responder como adultos.
Michelle ficou fora do discurso
Embora tenha evitado qualquer comentário sobre a crise com Michelle Bolsonaro, um dos principais aliados de Flávio no Ceará fez uma referência indireta ao episódio.
O deputado federal André Fernandes (PL-CE) afirmou sentir falta do ex-presidente Jair Bolsonaro e utilizou o apelido “galego”, frequentemente empregado por Michelle ao se referir ao marido.
A declaração foi interpretada nos bastidores como uma provocação em meio ao rompimento entre o senador e a ex-primeira-dama.
Defesa de Bolsonaro e de Valdemar
Durante o evento, Flávio também fez referências ao pai, Jair Bolsonaro, preso desde o ano passado, afirmando acreditar em seu retorno à vida política.
O senador ainda saiu em defesa do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, alvo de bloqueio de bens determinado pelo ministro do STF Flávio Dino, e criticou a atuação da Polícia Federal nas investigações envolvendo integrantes da oposição.
Flávio também voltou a defender a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Crise começou no Ceará
O evento também evidenciou os desdobramentos da disputa interna do PL no Ceará.
O rompimento entre Flávio e Michelle teve início após divergências sobre a definição da candidatura ao Senado no estado. Michelle defendia o nome da então vereadora Priscila Costa (PL-CE), enquanto Flávio apoiou a composição liderada pelo deputado federal André Fernandes, que resultou no lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes.
Apesar da aliança regional entre PL e PSDB, o pré-candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes não participou do ato. Segundo sua assessoria, tratava-se de um evento exclusivo do PL e o ex-ministro não estava no estado.