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Saúde

Sanitarista Gonzalo Vecina analisa a estupidez trumpista de restringir a vacinação das crianças americanas

Rio de Janeiro3 min de leitura
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Sanitarista Gonzalo Vecina analisa a estupidez trumpista de restringir a vacinação das crianças americanas
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De todas as burrices e desumanidades cometidas por Donald Trump, certamente os atos contra vacinas são as mais horripilantes, talvez ainda mais que a promoção de guerras, a invasão de países e as tarifações comerciais. O mandatário imperial acaba de assinar uma ordem executiva que pretende reduzir o número de vacinas para crianças americanas e dividir em doses individuais a imunização com a tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. O negacionista que habita a Casa Branca acredita na relação da vacina com o desenvolvimento de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e em outras bobagens, as quais são compartilhadas por bolsonaristas no Brasil.

Há dois tipos de pessoas contrárias às vacinas, como explica à coluna o médico sanitarista Gonçalo Vecina, professor da USP, fundador e primeiro presidente da Anvisa. O primeiro tipo é o seguidor da homeopatia hahnemanniana, criada pelo alemão Samuel Hahnemann em 1796. Esses negacionistas recomendam que as crianças não se vacinem pois a melhor maneira de despertar o sistema imunológico nelas, acreditam, seria por meio da doença.

“Isso significa submeter um grande número de crianças, as quais podem ter comorbidades, ao risco morrer de uma doença evitável, como é o caso do sarampo, da rubéola, da caxumba – enfim, todas as 19 doenças que temos hoje sob proteção de vacinas. É um risco grande e absolutamente desnecessário para as crianças, as quais têm direito a viver”, adverte Vecina.

Vale registrar que Alemanha, França, Austrália, Espanha e Reino Unido baniram a homeopatia hahnemanniana dos seus sistemas públicos de saúde.

O segundo tipo de negacionista vacinal é justamente aquele que crê na relação de vacinas com o desenvolvimento de TDAH. Nesse grupo se enquadram Donald Trump e seu secretário de Saúde, Robert Kennedy Jr. “Essa crença é ainda mais grave que a ideia dos hahnemannianos. É fruto de uma quantidade de ignorância muito maior, porque está absolutamente comprovado que nenhuma vacina gera TDAH”, observa um estarrecido Gonzalo Vecina.

“A única coisa positiva nessa postura é que ela que tem prazo. Se a Justiça americana não agir antes, durará até o fim do mandato de Trump”, aposta o sanitarista. Além disso, observa, a validade da medida negacionista terá de ser chancelada separadamente pelos estados americanos – espera-se que a maioria não ratifique tamanho absurdo sanitário.

A idiotice de Trump e dos que o assessoram no campo médico é imensurável. Em setembro de 2025, eles relacionaram o uso do paracetamol ao desenvolvimento de TEA (Transtorno do Espectro Autista). As razões da estapafúrdia e irreal correlação foi desvendada à coluna, na época, pela médica Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz e membro titular da Academia Nacional de Medicina, de notória atividade em prol da saúde pública.

Segundo Dalcolmo, Trump pretendeu criar pânico e encobrir o mais grave problema de saúde pública atual dos Estados Unidos: a explosão das chamadas “mortes por desespero”, de que são vítimas pessoas viciadas em opioides como hidrocodona, oxicodona, tramadol, codeína, morfina e metadona. “Esta deveria ser a preocupação do governo e das autoridades americanas: o número de jovens, homens e mulheres, que morrem por overdose de medicação opioide, hoje uma das grandes causas de mortes precoces nos Estados Unidos”, alertou a pesquisadora.

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