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Política

Rubio controla verbas e decisões da Venezuela à distância, relata NYT

3 min de leitura Expresso Rio
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Rubio controla verbas e decisões da Venezuela à distância, relata NYT
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, passou a exercer influência direta sobre a Venezuela mesmo sem estar em Caracas, após a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, relata o jornal “The New York Times”.

Rubio virou o principal interlocutor de Washington com o governo interino liderado por Delcy Rodríguez. O jornal afirma que ele mantém contato frequente com ela por WhatsApp, em espanhol, e participa de decisões cotidianas do país.

Funcionários da gestão passaram a chamá-lo de “vice-rei”, termo usado para designar autoridades que governaram territórios do império espanhol nas Américas até as independências do início do século 19.

O eixo da influência norte-americana está no controle sobre o dinheiro público venezuelano. Pessoas ouvidas pelo jornal dizem que o Tesouro dos EUA recebe a receita da maior parte das exportações do país e repassa os recursos, enquanto a equipe de Rubio define condições de gasto e quem pode acessar o dinheiro.

Washington controla recursos, sanções e ajuda externa

O governo dos EUA também usa esse arranjo para aplicar sanções e decidir quais empresas podem operar na Venezuela. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou que, “com cooperação renovada e gestão econômica sólida, a Venezuela pode ressurgir como um parceiro estável e próspero, cujos cidadãos se beneficiam de sua vasta riqueza natural e laços fortalecidos com os Estados Unidos”.

Rubio ampliou seu peso político depois dos dois terremotos registrados no mês passado, que aumentaram a dependência do governo interino por ajuda externa. O “New York Times” relata que os EUA enviaram 900 militares e destinaram quase US$ 400 milhões para sustentar a administração de Rodríguez.

A equipe de Rubio também passou a influenciar nomeações e a estrutura do governo interino. Rodríguez submete a Washington indicações relevantes, como a do ministro da Defesa, e recebeu incentivo para afastar familiares e sócios de Maduro.

O governo Trump pressionou por cooperação em casos criminais e operações de segurança. O jornal cita a prisão e a extradição de Alex Saab, aliado de Maduro, e uma ação que matou Niño Guerrero, apontado como líder da organização criminosa Tren de Aragua, com informações fornecidas por autoridades venezuelanas.

Críticos acusam os EUA de sustentar um governo não eleito e de interferir na soberania venezuelana. Em audiência no Congresso, o deputado democrata Sean Casten declarou: “O secretário Rubio disse que não estamos em guerra com a Venezuela”, argumento usado por ele para contestar a atuação norte-americana no país.

Donald Trump elogiou publicamente Rodríguez e tratou a submissão do governo interino como sinal de controle político. “Delcy Rodríguez, que é a Presidente da Venezuela, está fazendo um ótimo trabalho e colaborando muito bem com os representantes dos EUA”, escreveu nas redes sociais.

O cronograma para eleições livres segue indefinido, apesar da pressão de parte da população e de investidores por previsibilidade. Questionada pelo jornal sobre quando pretende convocar uma votação, Rodríguez respondeu: “Não sei. Algum dia”.

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