A Polícia Militar de São Paulo afirmou ter analisado imagens de cerca de 40 câmeras e não encontrado indícios de abordagem ou procedimento irregular contra o motorista de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista. A corporação abriu uma investigação preliminar na quinta (13), após tomar conhecimento do relato do petista.
As câmeras privadas de residências e comércios cobrem o trajeto indicado pelo motorista. A PM também confirmou a identificação e o percurso das viaturas pelo sistema de geolocalização e declarou não ter localizado interação das equipes policiais com Haddad ou integrantes de sua campanha.
A apuração continua e poderá virar inquérito se surgirem indícios de irregularidade. Na quinta-feira (13), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que o motorista seria chamado formalmente para prestar esclarecimentos.
“A polícia já observou as câmeras, já observou o movimento, as ruas, se entrou no hotel, se não entrou no hotel. [E vai] chamar o motorista para prestar esclarecimentos, dessa vez de forma oficial”, afirmou Tarcísio.
Relato de Haddad e versão da Secretaria de Segurança
Haddad relatou que o episódio ocorreu na noite de terça (11), quando voltava para casa depois de um evento na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, no centro da capital. Ele disse que uma viatura fez uma abordagem rápida e ostensiva ao carro em que estava, perto das 22h30.
Após deixá-lo em casa, o motorista teria sido seguido pela mesma viatura. Haddad afirmou que os policiais usaram o farol para lançar “luz sobre o para-brisa” e que, depois, o veículo policial teria emparelhado com o carro do condutor, se aproximado da traseira e parado junto a ele em um hotel.
O petista disse que só soube dos detalhes depois, quando o motorista relatou o caso a ele e ao advogado Hélio Silveira. “Pode ter sido coincidência, pode ter sido confusão, mas tem que haver no mínimo uma apuração”, declarou, acrescentando que não pretendia transformar o episódio em “cavalo de batalha” eleitoral.
O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, atribuiu a movimentação policial a buscas por quatro suspeitos de roubos de celulares ligados à chamada gangue do quebra-vidro, na Avenida 9 de Julho. O boletim de ocorrência do 27º Distrito Policial relata a procura por um “Kicks preto”, enquanto o motorista de Haddad dirigia um Fusion prata.




