O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Mauro Caseri, defendeu uma investigação mais profunda sobre a conduta de policiais militares que, segundo Fernando Haddad (PT), seguiram o carro de seu motorista após o então candidato ao governo paulista desembarcar em casa. Caseri também sugeriu a quebra do sigilo telefônico dos agentes para esclarecer os contatos feitos antes da abordagem.
“Me preocupa a resposta rápida”, afirmou o ouvidor ao criticar a conclusão preliminar da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), que não identificou comportamento fora do padrão dos policiais. Para ele, a apuração precisa ouvir o motorista e outros envolvidos, examinar imagens de segurança e verificar o uso das câmeras corporais.
Haddad relatou que uma viatura acompanhou seu motorista de forma “estranha” e “ostensiva” depois de deixá-lo em casa, na noite de terça-feira (11). O petista disse que o condutor se assustou com a situação, e sua campanha apresentou uma notícia de fato à Procuradoria Regional Eleitoral para pedir um Procedimento Preparatório Eleitoral.
A SSP informou que a Polícia Militar abriu uma investigação preliminar na quinta-feira (13), após tomar conhecimento do relato. A pasta afirmou que analisou imagens de aproximadamente 40 câmeras particulares instaladas em residências e comércios no trajeto indicado pelo motorista, sem localizar até aquele momento uma abordagem ou irregularidade na ação policial.
Haddad ser perseguido pela pm de Tarcísio é gravíssimo! #haddad #fernandohaddad #foratarcisiodefreitas #pmsp pic.twitter.com/S2ghELgD7O
— Folha TV (@folhatvoficial) August 13, 2026
Ouvidoria cobra análise de câmeras corporais e do trajeto da viatura
A secretaria também declarou que confirmou o deslocamento das viaturas por geolocalização. A investigação continua e poderá se transformar em inquérito caso surjam indícios de irregularidades. A versão inicial da SSP aponta que os policiais procuravam suspeitos de furtos de veículos no bairro.
Para Caseri, ouvir os policiais e encerrar a análise sem aprofundamento não basta. “Escutar os policiais e decidir que não houve abuso não é suficiente”, disse. Ele afirmou que, se os agentes realizavam uma abordagem, o protocolo exigia o acionamento das câmeras corporais, e uma eventual ausência de imagens também deveria entrar na investigação.
O ouvidor questionou ainda os fatos descritos por Haddad: o uso de farol alto enquanto um passageiro deixava o veículo, o acompanhamento do carro após o desembarque e a ordem para que o motorista se afastasse quando perguntou sobre a ação. A Ouvidoria já solicitou que a Corregedoria da Polícia Militar examine o caso.
Caseri afirmou que a apuração deve esclarecer por que a viatura continuou a seguir o automóvel depois que Haddad saiu dele. “Não é normal você seguir um carro sem que haja uma justificativa plausível”, declarou. O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, conversou com Haddad sobre o trajeto relatado e disse que “qualquer possível desvio de conduta será devidamente apurado”.




