Rioprevidência teve prejuízo de R$ 25 milhões com fundo ligado à Ambipar, aponta PF

Expresso Rio
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Imagem: Reprodução/PF

A Polícia Federal (PF) apontou um prejuízo estimado em R$ 25 milhões ao Rioprevidência após investimentos realizados em um fundo de ações que possuía forte concentração de papéis da Ambipar. As informações constam da investigação que embasou uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada recentemente no estado do Rio de Janeiro.

Segundo a apuração, o Rioprevidência, responsável pela gestão da previdência dos servidores públicos estaduais, realizou aportes de aproximadamente R$ 150 milhões entre junho e agosto de 2025 no chamado Texas I Fundo de Investimentos em Ações. A PF afirma que o fundo chegou a ter cerca de 95% de sua carteira composta por ações da Ambipar.

De acordo com a investigação, a perda ocorreu após uma forte desvalorização dos papéis da companhia. A Ambipar, que havia registrado expressiva valorização no mercado em 2024, entrou em recuperação judicial em outubro de 2025.

Documentos citados pela Polícia Federal indicam que as ações da empresa chegaram a subir 863%, passando de R$ 8,80 para R$ 76 entre junho e agosto de 2024. Posteriormente, os papéis sofreram forte queda, atingindo R$ 0,41 em outubro de 2025, o que representou uma desvalorização superior a 99%.

Segundo a PF, essa queda impactou diretamente o desempenho do fundo que recebeu recursos do Rioprevidência.

Paralelamente, uma investigação conduzida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisou movimentações envolvendo as ações da Ambipar.

Conforme informações divulgadas pela autarquia, diretores identificaram indícios de uma atuação coordenada que teria contribuído para a valorização extraordinária dos papéis. O relatório menciona o empresário Nelson Tanure, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o CEO da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior.

A CVM aponta que fundos como Texas, Esna e Kyra teriam adquirido grandes volumes de ações da companhia, reduzindo a quantidade de papéis disponíveis para negociação no mercado e influenciando a formação dos preços.

A nova fase da Operação Compliance Zero tem como foco a apuração de possíveis irregularidades envolvendo investimentos, fundos financeiros e operações relacionadas ao Banco Master.

Entre os alvos das medidas autorizadas pela Justiça esteve o ex-governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, citado na investigação da Polícia Federal.

Até o momento, não há condenações relacionadas aos fatos investigados. As apurações seguem em andamento e os envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa.

Procurada sobre o caso, a Ambipar informou que não comentaria o assunto.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, também foram buscadas manifestações do Rioprevidência e do empresário Nelson Tanure, mas não houve retorno até a publicação das informações. O espaço permanece aberto para eventuais posicionamentos.

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