O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou que o partido por não ter segurança de que ele permaneceria na disputa até o fim da campanha. A informação é da coluna Painel, na Folha de S. Paulo.
Segundo o dirigente, a direção nacional da legenda avaliou que o comportamento do senador ao longo das últimas semanas gerou dúvidas sobre sua disposição para concorrer. Pereira afirmou que o partido não poderia assumir o risco de formalizar uma candidatura que eventualmente fosse retirada às vésperas da eleição.
“Eu não posso me arriscar a que lá pelo dia 15 de setembro, ele desista da candidatura”, diz Pereira.
A decisão encerra, ao menos dentro do Republicanos, a possibilidade de Cleitinho disputar o governo mineiro pela sigla. Agora, o partido deverá definir qual candidatura apoiará no estado, com tendência de aproximação com o deputado federal Marcelo Aro, do PP.
Direção cita comportamento instável
De acordo com Marcos Pereira, Cleitinho apresentou comportamento considerado instável durante o processo de definição da candidatura e não deu respostas claras sobre seus planos eleitorais.
O presidente do Republicanos afirma que o senador evitou confirmar de maneira definitiva se aceitaria disputar o governo de Minas Gerais. Para a direção partidária, a ausência de uma sinalização firme tornou inviável a manutenção de seu nome como pré-candidato.
A tensão aumentou depois que Cleitinho não compareceu à convenção estadual do Republicanos, realizada no último fim de semana. O senador justificou a ausência dizendo estar de luto pela morte de um irmão.
Pereira afirmou compreender a situação pessoal do parlamentar, mas disse que havia alternativas para garantir a participação formal de Cleitinho na reunião partidária.
“Ele não deu sinais de que aceitaria ser candidato”.
Na avaliação do dirigente, o senador poderia ter enviado uma procuração para que sua candidatura fosse submetida à aprovação durante o encontro. Como isso não ocorreu, a cúpula do Republicanos interpretou a ausência como mais um sinal de incerteza.
Partido considera decisão irreversível
Marcos Pereira afirmou que o veto à candidatura não será revisto. Segundo ele, o partido precisa organizar sua estratégia eleitoral em Minas Gerais e não pode permanecer dependente de uma definição que considera incerta.
A declaração reduz o espaço para uma eventual retomada das negociações com Cleitinho, mesmo que o senador decida posteriormente confirmar sua intenção de disputar o governo estadual.
Com a retirada do nome do parlamentar, a direção nacional deverá iniciar conversas com outras forças políticas para decidir qual candidatura receberá o apoio do Republicanos.
O cenário considerado mais provável é o de adesão à candidatura de Marcelo Aro, do PP. Aro aparece como uma das alternativas do campo político que busca se consolidar na disputa pelo governo mineiro.
A definição deverá levar em conta a composição da chapa, as alianças partidárias e o espaço que o Republicanos terá na campanha estadual.
Ausência na convenção pesou na decisão
Embora a morte do irmão de Cleitinho tenha sido reconhecida como motivo legítimo para a ausência, integrantes da direção do partido consideraram que o senador poderia ter adotado outras providências para demonstrar interesse na candidatura.
O envio de uma procuração permitiria que representantes do parlamentar formalizassem sua participação na convenção e autorizassem a aprovação de seu nome.
Para Marcos Pereira, a falta desse documento, somada à ausência de respostas objetivas ao longo das negociações, reforçou a percepção de que Cleitinho não estava totalmente comprometido com a disputa.
A decisão também revela a preocupação da cúpula do Republicanos com o calendário eleitoral. Uma eventual desistência durante a campanha poderia comprometer alianças, reduzir o tempo disponível para reorganizar a chapa e enfraquecer a presença da legenda no estado.
Agora, o partido pretende acelerar as tratativas para definir seu posicionamento em Minas Gerais e anunciar oficialmente qual candidatura deverá apoiar na eleição estadual.