Quem é Thiago Rangel: deputado preso em operação no Rio

Expresso Rio
5 min de leitura
Deputado estadual Thiago Rangel (Avante) | Reprodução

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (5), o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, no estado do Rio de Janeiro. A investigação apura um suposto esquema de fraudes em contratos ligados à Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), envolvendo compras e serviços, incluindo obras em unidades escolares.

A ação ocorreu simultaneamente em cidades como Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Natural de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, Thiago Rangel Lima nasceu em 2 de julho de 1986 e construiu sua carreira pública antes de chegar à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Empresário do setor varejista, iniciou sua trajetória em cargos técnicos e administrativos no governo estadual. Atuou como superintendente regional do Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro (IPEM-RJ) e também como diretor de Fiscalização do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado (Detro-RJ), participando de ações voltadas à renovação da frota intermunicipal.

Em 2020, foi eleito vereador em Campos dos Goytacazes, sendo o mais votado de seu partido no município. Durante o mandato, apresentou propostas voltadas às áreas social e econômica e divulgou a doação de seu salário durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, destinada à compra de cestas básicas.

Já em 2022, conquistou uma vaga na Alerj com 31.175 votos, defendendo pautas ligadas à educação, saúde, agricultura e geração de emprego e renda.

De acordo com a Polícia Federal, as irregularidades teriam ocorrido na Diretoria Regional Noroeste da Seeduc, apontada como área de influência política do deputado.

As apurações indicam que contratos de escolas estaduais teriam sido direcionados para empresas previamente escolhidas e supostamente ligadas ao grupo investigado. Após receberem recursos públicos, os responsáveis pelas empresas realizariam saques e transferências financeiras para alimentar uma rede ligada ao esquema.

Parte dos valores, segundo os investigadores, teria sido misturada a recursos legais em contas vinculadas a uma rede de postos de combustíveis administrada pelo suposto líder da organização.

Os investigados podem responder por organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

A atual fase da operação é resultado da análise de materiais apreendidos desde dezembro de 2025, quando começaram as primeiras etapas da Operação Unha e Carne.

Inicialmente, o foco era o vazamento de informações sigilosas de operações policiais contra o Comando Vermelho, o que, segundo a PF, teria comprometido ações e beneficiado investigados.

As apurações passaram a integrar o contexto da ADPF 635, que trata de diretrizes para operações de segurança pública no Rio de Janeiro.

Entre os desdobramentos, houve a prisão de figuras públicas e até de um magistrado do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, após suspeitas de repasse de informações confidenciais.

Nesta quarta fase, a investigação avança para possíveis desvios de recursos públicos na área da educação no estado do Rio de Janeiro.

A operação integra a chamada Missão Redentor II, estratégia da Polícia Federal voltada ao combate ao crime organizado e à interrupção de fluxos financeiros ilícitos.

Segundo os investigadores, o objetivo é desarticular estruturas que sustentam atividades criminosas, ampliando o alcance das apurações para além do tráfico de drogas e atingindo esquemas financeiros ligados ao setor público.

A Polícia Federal segue analisando provas coletadas nas buscas e apreensões realizadas no Rio de Janeiro e no interior do estado. O caso deve avançar no Supremo Tribunal Federal, responsável pelas decisões envolvendo autoridades com foro privilegiado.

A investigação pode ter novos desdobramentos nos próximos dias, com possíveis denúncias formais e novas fases da operação.

Partilhar este artigo
Sem comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *