Quase metade dos brasileiros das classes D e E não conviveu com o pai ou outra figura paterna durante toda a infância e a adolescência, aponta pesquisa do Instituto Locomotiva. Nesse grupo, 51% disseram ter tido essa convivência, o que deixa 49% sem essa presença no período. Com informações do Uol.
Na população total, 61% afirmaram que conviveram com uma figura paterna ao longo da infância e da adolescência. O levantamento ouviu 1.030 homens e mulheres com 18 anos ou mais em entrevistas digitais realizadas em junho de 2026, com margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
Entre os entrevistados das classes A e B, 67% relataram convivência paterna durante essas fases da vida. Na classe C, a taxa ficou em 60%, enquanto quatro em cada dez brasileiros, considerando todos os recortes de renda, disseram não ter convivido com o pai ou figura paterna.
O diretor do Instituto Locomotiva, João Paulo de Resende Cunha, afirmou que a pergunta busca captar uma experiência que não aparece nos dados sobre composição dos domicílios. “Conviver com a figura paterna presente é quase um privilégio para uma grande parte dos brasileiros”, disse.
Pais aparecem mais associados ao sustento do que ao cuidado
Entre as pessoas que tiveram uma figura paterna presente, 64% associaram os pais a pagar despesas como roupas, comida e remédios. Três em cada dez entrevistados disseram que eles cuidavam dos filhos recém-nascidos, em tarefas como trocar fraldas e dar banho.
A participação em atividades cotidianas de cuidado teve índices menores. Para 41% dos entrevistados, os pais nunca participaram de reuniões escolares; 38% disseram que eles nunca conversaram sobre preocupações, e 39% afirmaram que nunca receberam ajuda paterna nas tarefas escolares.
O estudo também apontou que 37% dos pais nunca dialogaram com os filhos sobre relacionamentos, drogas ou saúde mental. Sobre demonstrações de carinho e afeto, 63% dos entrevistados responderam que os pais fizeram isso apenas algumas vezes ou nunca fizeram. Cunha afirmou que as tarefas não assumidas pelos pais costumam recair sobre as mulheres, com efeitos como exaustão e menos tempo para atividades remuneradas.
A maioria dos entrevistados defendeu responsabilidades compartilhadas entre pais e mães: 88% apontaram que ambos devem demonstrar carinho e afeto, e 87% atribuíram aos dois os momentos de lazer e o acompanhamento das amizades dos filhos. Para 76%, é mais importante que um pai seja alguém em quem os filhos confiam; 24% priorizaram a autoridade.