Quaquá critica indicação de suplente feita por Benedita no RJ

Expresso Rio
Imagem: Billy Boss/Câmara dos Deputados

O vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, criticou publicamente a decisão da senadora Benedita da Silva de incluir o ex-presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino, como primeiro suplente em sua chapa ao Senado. Segundo Quaquá, a escolha envolve um nome “associado a escândalos” e pode trazer prejuízos políticos à candidatura no estado do Rio de Janeiro.

A manifestação ocorre em meio à tentativa de consolidar uma candidatura unificada do PT no Rio. Quaquá afirmou que seu grupo decidiu apoiar Benedita “em nome da unidade partidária”, mesmo reconhecendo desafios eleitorais. No entanto, ele destacou que havia um entendimento interno para que as suplências fossem definidas de forma conjunta algo que, segundo ele, não ocorreu.

De acordo com o dirigente, a corrente majoritária do partido no estado havia apresentado o nome do vereador Felipe Pires para a primeira suplência. Além disso, havia apoio à inclusão do pastor e cantor Kleber Lucas como segundo suplente, numa tentativa de dialogar com segmentos evangélicos e de direitos humanos dentro da legenda.

A inclusão de Manoel Severino, porém, partiu diretamente da senadora. Quaquá disse que a decisão surpreendeu seu grupo. “Fomos surpreendidos com a imposição de um assessor, ex-presidente da Casa da Moeda, envolvido em escândalos”, declarou. Ele reforçou que a escolha não teve consenso interno e não contou com o apoio de sua ala política.

Segundo Quaquá, o diretório partidário estadual aprovou formalmente apenas os nomes indicados por seu grupo, deixando de fora a inclusão de Severino. A divergência evidencia um impasse na formação da chapa.

Apesar das críticas, o dirigente fez questão de destacar o histórico da senadora. “Benedita é uma mulher honrada, com trajetória respeitada e compromisso público reconhecido”, afirmou. Ainda assim, ponderou que a candidatura precisa ser preservada de fatores que possam gerar questionamentos durante a campanha.

Quaquá também alertou para possíveis impactos eleitorais. Ele argumentou que a decisão pode obrigar a chapa a lidar com temas sensíveis durante a disputa, o que, segundo ele, poderia afetar inclusive a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Temos a responsabilidade de unir o partido e preservar o presidente Lula, evitando que a chapa majoritária tenha que se explicar sobre escândalos”, disse.

Na avaliação do dirigente, insistir na indicação de Manoel Severino representa um erro estratégico. Ele afirmou que seu grupo já havia recuado em disputas internas em nome da unidade e que ignorar a maioria do partido no estado pode tornar a candidatura vulnerável a ataques adversários.

A controvérsia expõe uma divisão interna no PT do Rio de Janeiro em um momento decisivo para a construção da candidatura ao Senado. O episódio indica dificuldades na consolidação de um consenso dentro da legenda e levanta dúvidas sobre a coesão do grupo político em torno da chapa liderada por Benedita.

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