Estudos recentes em psicologia e neurociência vêm reforçando que a memória humana não é fixa ela pode ser aprimorada com métodos específicos e hábitos cotidianos. A forma como o cérebro registra, processa e armazena informações passa por três etapas distintas, e compreender esse funcionamento tem ajudado pesquisadores a identificar estratégias eficazes para melhorar o desempenho cognitivo.
A memória opera em três níveis principais: sensorial, de trabalho e de longo prazo. A primeira atua de forma quase instantânea, registrando estímulos por frações de segundo. Em seguida, a memória de trabalho assume o processamento dessas informações por um curto período, estando diretamente ligada ao córtex pré-frontal área responsável por funções como raciocínio e tomada de decisão. Já a memória de longo prazo é responsável por armazenar conteúdos por períodos prolongados, envolvendo estruturas cerebrais como o hipocampo, a amígdala e o cerebelo.
Pesquisas indicam que a memória de trabalho possui uma limitação natural, conseguindo reter, em média, cerca de sete unidades de informação ao mesmo tempo. Essa restrição torna essencial o uso de estratégias que otimizem a retenção e o aprendizado.
Entre as práticas apontadas pelos estudos está a redução de distrações, especialmente o uso do celular durante atividades que exigem foco. A simples presença do aparelho, mesmo sem uso ativo, pode consumir parte da capacidade mental disponível, prejudicando a concentração.
Outro fator relevante é o controle do estresse. Técnicas de relaxamento ajudam a liberar recursos cognitivos, favorecendo o processamento e a retenção de informações. Além disso, o método conhecido como “chunking” ou agrupamento tem se mostrado eficaz ao organizar conteúdos em blocos menores, facilitando a memorização.
A chamada recuperação ativa também aparece como uma das estratégias mais eficientes. Em vez de apenas reler o conteúdo, o indivíduo testa o próprio conhecimento, fortalecendo as conexões neurais envolvidas no aprendizado.
Os estudos ainda destacam que distribuir o aprendizado ao longo do tempo traz melhores resultados do que concentrar tudo em uma única sessão. Esse espaçamento reduz a perda de informações e melhora a retenção a longo prazo, fenômeno relacionado à chamada curva do esquecimento.
As conclusões fazem parte de um artigo assinado pela pesquisadora de doutorado em Psicologia e Neurociência Elva Arulchelvan, do Trinity College Dublin, publicado na plataforma The Conversation Brasil.



