Os Estados Unidos devem enviar uma equipe de negociadores ao Paquistão nesta segunda-feira (20) para uma nova rodada de conversas com o Irã, em meio à escalada de tensão no Estreito de Ormuz. O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump em publicação nas redes sociais, sem revelar quais autoridades participarão do encontro previsto em Islamabad.
Na mesma declaração, Trump acusou o Irã de romper o cessar-fogo ao realizar disparos no sábado (18) na região estratégica do Golfo. O presidente americano elevou o tom ao ameaçar diretamente o país persa. “Se eles não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes do Irã”, afirmou, ao comentar a proposta levada por Washington às negociações.
Do lado iraniano, o discurso também foi de endurecimento. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou que o país continuará impondo restrições à navegação enquanto as sanções americanas estiverem em vigor. Em entrevista à TV estatal, ele afirmou que não há possibilidade de liberação do tráfego marítimo para outros países enquanto o Irã enfrenta limitações impostas pelos Estados Unidos. “É impossível que outros passem pelo Estreito de Ormuz enquanto nós não podemos”, disse.
A situação se agravou após relatos de ataques contra embarcações comerciais na região. Autoridades indicam que navios foram atingidos por disparos durante a travessia, o que levou parte das operações marítimas a suspender rotas por segurança. O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo, o que amplia significativamente os efeitos econômicos de qualquer instabilidade.
BREAKING: Trump:
Iran decided to fire bullets yesterday in the Strait of Hormuz — A Total Violation of our Ceasefire Agreement!
Many were aimed at a French Ship and a Freighter from the United Kingdom.
My Representatives are going to Islamabad, Pakistan — They will be there… pic.twitter.com/PRsU42i0xB
— Clash Report (@clashreport) April 19, 2026
Representantes iranianos também criticaram a condução americana nas negociações. O vice-ministro das Relações Exteriores, Saeed Khatibzadeh, afirmou que as ações dos Estados Unidos colocam em risco não apenas a região, mas toda a economia global. Segundo ele, as decisões adotadas por Washington têm impacto direto sobre a segurança internacional e o equilíbrio do mercado energético.
Apesar do cenário de confronto, mediadores paquistaneses buscam avançar em um novo acordo antes do término da trégua de duas semanas estabelecida entre os países. As conversas ocorrem sob forte pressão, com ameaças militares, sanções econômicas e disputas diplomáticas influenciando cada etapa das negociações.
O ambiente segue instável, com possibilidade de agravamento do conflito caso não haja avanço nas tratativas. Enquanto isso, a comunidade internacional acompanha com preocupação os desdobramentos, diante do potencial impacto global de uma crise no principal corredor energético do mundo.



