Quatro anos depois do último pleito, o entusiasmo do brasileiro com o processo eleitoral registra uma queda expressiva. Segundo dados da pesquisa Genial/Quaest, apenas 32% dos eleitores consideram as eleições deste ano “muito importantes”. Em agosto de 2022, esse número chegava a 50%.
A diminuição do interesse provocou uma migração direta para opções de desengajamento ou menor relevância atribuída ao voto:
- Muito importante: caiu de 50% (2022) para 32% (2026).
- Importante: subiu de 34% para 38%.
- Mais ou menos importante: subiu de 6% para 10%.
- Pouco importante: subiu de 5% para 8%.
- Não é importante: saltou de 4% para 11% (o maior crescimento relativo).
Quem são os desiludidos com a eleição? Ao estratificar os dados, a Quaest revela que a migração mais acentuada do sentimento de “muito importante” para “não é importante” ocorreu principalmente entre dois grupos:
- Eleitores independentes (sem alinhamento ideológico fixo);
- Eleitores declaradamente lulistas
Em contrapartida, eleitores de esquerda não-lulistas, bolsonaristas e de direita conservaram níveis elevados de engajamento, ainda considerando a eleição como um evento crucial.
Essa perda de interesse pode refletir diretamente nas taxas de comparecimento no dia da votação. Conforme pontuado durante a análise, fatores como o baixo valor da multa por ausência (não reajustada desde 1993 e em torno de R$ 3,50) e a facilidade de justificativa pelo aplicativo do e-Título diminuem o custo de não votar no Brasil.
Com sanções brandas para o voto obrigatório, o engajamento passa a depender quase exclusivamente da motivação pessoal do cidadão. Nesse cenário, o comportamento dos eleitores independentes pode ser o fator decisivo para definir o resultado das urnas.