O público de 2 milhões de pessoas divulgado pela Prefeitura do Rio para o show da cantora Shakira, realizado no sábado (2), na Praia de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, está sendo contestado por um levantamento independente que aponta possível superestimação no número.
De acordo com análise publicada pelo portal Poder360, a área ocupada pelo evento estimada em cerca de 208,3 mil metros quadrados, abrangendo aproximadamente sete quarteirões entre as ruas Paula Freitas e a Avenida Princesa Isabel comportaria, no limite, cerca de 1,04 milhão de pessoas. O cálculo considera uma densidade máxima de cinco pessoas por metro quadrado, padrão utilizado em grandes eventos.
No entanto, a própria análise indica que esse número representa um cenário extremo. Na prática, a presença de áreas com menor concentração de público, especialmente nas bordas e trechos mais afastados do palco, reduziria a estimativa total.
Para atingir a marca de 2 milhões de pessoas, seria necessário ocupar uma área próxima de 400 mil metros quadrados, o que ultrapassaria os limites da região principal do evento. Isso incluiria não apenas a faixa central de Copacabana, mas também partes da praia do Leme, além de calçadas e vias adjacentes.
Segundo o Poder360, a análise foi baseada em imagens aéreas divulgadas pela própria prefeitura do Rio de Janeiro, registros da agência Reuters e também na transmissão televisiva do evento.
A divergência reacende questionamentos sobre a precisão das estimativas divulgadas pela Riotur, órgão responsável pela promoção de eventos na cidade. Levantamentos anteriores já indicaram possíveis inconsistências.
Em 2024, por exemplo, um estudo do Datafolha apontou que o espaço utilizado no show da cantora Madonna comportava, no máximo, 875 mil pessoas número significativamente inferior aos 1,6 milhão divulgados oficialmente na época.
Situação semelhante também ocorreu com o show de Lady Gaga em 2025, quando a estimativa oficial de 2,1 milhões de pessoas também foi considerada inflada por análises independentes.
O evento de Shakira contou com investimento de R$ 20 milhões da Prefeitura do Rio, recursos provenientes de impostos, repassados à produtora Bonus Track. Inicialmente, o projeto previa apoio do governo estadual, que não se concretizou.
Com a ausência de patrocínio estadual, a prefeitura realizou um aporte adicional de R$ 5 milhões para complementar os R$ 15 milhões já previstos.
Apesar da polêmica envolvendo os números de público, a gestão municipal aposta no impacto econômico e na visibilidade internacional do evento. A expectativa é que o show gere cerca de US$ 250 milhões em movimentação econômica para o Rio de Janeiro, impulsionando turismo, comércio e serviços na região.
A discussão sobre a real dimensão do público reforça o debate sobre transparência em grandes eventos públicos no Brasil, especialmente quando envolvem investimentos milionários.
Mesmo com as divergências, o show consolidou mais uma vez Copacabana como palco de megaeventos internacionais, mantendo o Rio de Janeiro no radar global do entretenimento.