Café e carne bovina ficaram fora da nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A decisão final do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, manteve os dois grupos entre as exceções após reconhecer limitações da produção interna e riscos de desabastecimento e aumento de custos.
No caso do café, a lista protege diferentes formas do produto, entre elas grãos verdes e torrados, café descafeinado, solúvel, extratos, concentrados e preparações. O USTR também acrescentou o café instantâneo sem sabor ao grupo de 471 mercadorias incorporadas às isenções durante a etapa final da investigação.
Segundo o processo, mais de 99% do café instantâneo importado pelos Estados Unidos vem das economias atingidas pela investigação, e não existem fornecedores alternativos suficientes fora desse grupo. Empresas estadunidenses alertaram que a cobrança elevaria custos e prejudicaria a produção local de bebidas prontas e de café extraído a frio.
A carne bovina também permaneceu protegida, apesar da pressão de pecuaristas estadunidenses para que o governo Donald Trump retirasse o produto da lista de exceções. Os produtores alegaram que as importações pressionavam o mercado local e beneficiavam concorrentes estrangeiros.
O USTR rejeitou o pedido ao concluir que a oferta doméstica desses produtos ainda é limitada. A isenção inclui carcaças, cortes com ou sem osso, carne fresca, resfriada ou congelada, miúdos e diferentes formas de carne preparada ou preservada.
A proteção não elimina tarifas aduaneiras, cotas ou exigências sanitárias que já incidam sobre café e carne. Ela impede apenas a cobrança da nova sobretaxa de 12,5%, aplicada a partir desta sexta-feira (24) sob a alegação de que o Brasil não proíbe nem fiscaliza adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.