O presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Mike Johnson, afirmou que os direitos dos americanos “não vêm do governo”, mas de Deus. A declaração foi feita durante cerimônia do Dia Nacional de Oração, realizada no Capitólio, em Washington.
Em discurso para parlamentares e líderes religiosos, Johnson disse que a oração faz parte da identidade histórica dos Estados Unidos e descreveu a Declaração de Independência como a “declaração nacional de fé” do país.
Segundo ele, a aproximação do 250º aniversário da independência americana é uma oportunidade para relembrar os princípios que deram origem à nação.
“Proclamamos corajosamente a verdade evidente de que nossos direitos não vêm do governo; eles vêm do próprio Deus. Foi Ele quem nos concedeu nossos direitos inalienáveis, entre eles o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade”, afirmou.
Johnson acrescentou que essa ideia, presente no segundo parágrafo da Declaração de Independência, foi a base para que os Estados Unidos se tornassem “a nação mais livre, mais bem-sucedida, mais poderosa e mais benevolente da história”.
Durante o discurso, o republicano também afirmou que a fé acompanha a história americana desde seus primeiros anos.
“A oração faz parte do nosso DNA desde o início. Somos uma nação que ora”, disse, citando episódios históricos como a chegada dos peregrinos a Plymouth, a Guerra da Independência e a expansão para o Oeste.
Johnson é um teocrata doente. Questionado pela Fox News sobre como orientaria a formulação de políticas públicas, respondeu: “Pegue uma Bíblia na sua estante e leia. Essa é a minha visão de mundo.”
A declaração, porém, vai além de uma simples manifestação de fé. Johnson é adepto do chamado “originalismo bíblico”, corrente que sustenta que a Bíblia representa a verdade absoluta e deve ser a principal — ou única — referência para a elaboração de políticas públicas.
Em 2016, ele foi ainda mais explícito ao afirmar: “Nós não vivemos em uma democracia, mas em uma república bíblica.” Embora Johnson seja frequentemente citado por suas posições conservadoras sobre aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e direitos da população LGBTQ+, sua atuação vai além dessas pautas.
Entre 2002 e 2010, ele foi advogado sênior da Alliance Defending Fund, organização jurídica conservadora que mais tarde passou a se chamar Alliance Defending Freedom (ADF).
A entidade teve papel central em ações judiciais que marcaram a recente guinada conservadora da Suprema Corte dos Estados Unidos. Entre elas está o caso 303 Creative v. Elenis, que resultou na decisão permitindo que uma designer de sites de casamento recusasse prestar serviços a casais do mesmo sexo com base em convicções religiosas.
A organização também foi uma das principais articuladoras das estratégias jurídicas que levaram à derrubada do precedente Roe v. Wade, decisão histórica que, por quase 50 anos, garantiu o direito constitucional ao aborto nos Estados Unidos.
US House Speaker Mike Johnson:
They call themselves by sweet little names—”Democratic Socialists.” But you should read their published platform.
They advocate no borders, abolishing prisons, abolishing the Senate, eliminating private property, ending the free market, and… pic.twitter.com/wvPouTQmQM
— Clash Report (@clashreport) July 19, 2026