O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou nesta quinta (13) que a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao partido Missão tenha resultado de um ataque hacker. A corte afirmou que alguém com credenciais da própria legenda usou indevidamente a ferramenta de filiação partidária para registrar o nome do senador.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para que o órgão adote as providências cabíveis. O tribunal não identificou invasão no sistema de filiação partidária.
Nunes Marques também determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária. A investigação deve apurar quem utilizou as credenciais do Missão e como ocorreu o registro em nome de Flávio Bolsonaro.
O caso veio à tona enquanto a equipe do senador reunia documentos para registrar sua candidatura. A defesa disse ter identificado a alteração partidária e sustentou inicialmente a hipótese de fraude no sistema.
Defesa alegou fraude e PL pediu desfiliação
A advogada da campanha de Flávio Bolsonaro, Maria Claudia Bucchianeri, afirmou que a mudança de filiação era fraudulenta. “É inequívoco que foi fraudulento”, disse.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio afirmou que adversários “só sabem jogar sujo” e declarou que a fraude não impediria seus planos políticos. “O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir não”, disse o senador.
Flávio Bolsonaro convoca caminhada em Copacabana após denunciar fraude na filiação
Ele afirma que o sistema “vai tentar de tudo” para pará-lo, mas que não vai conseguir. Live hoje às 19h no YouTube e caminhada rumo à Presidência neste domingo, dia 16, em Copacabana, a partir das… pic.twitter.com/gec1DjeXwt
— Pesquisas Eleições (@EleicaoBr2026) August 13, 2026
O Partido Liberal, sigla à qual Flávio Bolsonaro era filiado, protocolou um pedido para desfiliá-lo do Missão. A Justiça Eleitoral já analisa a solicitação, informou o TSE.
O Missão afirmou que também foi vítima do episódio e disse ter alertado o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre uma tentativa de fraude dez dias antes do caso. A legenda divulgou uma captura de tela de e-mails enviados ao gabinete do senador.
Leia a nota do TSE na íntegra:
O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária.
O Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise.