A jornalista Adriana Araújo, âncora do Jornal da Band, fez uma dura crítica à Record por ter aberto espaço para Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha e condenado por tentar matá-la. “Qual o interesse jornalístico em dar voz a um sujeito desses? Que prazer sádico é esse de deixar o criminoso contar sua versão de um crime hediondo, violentando a vítima de novo com a deturpação dos fatos?”, questionou.
Marco Antônio concedeu uma entrevista à Record sobre o caso, apesar de estar submetido desde 2024 a medidas protetivas que o proibiam de divulgar informações sobre o processo e de expor o nome ou a imagem de Maria da Penha e das filhas. A Justiça decretou sua prisão preventiva após o Ministério Público do Ceará apontar o descumprimento das restrições.
A entrevista também foi impedida de ir ao ar. A Justiça determinou a retirada de conteúdos relacionados ao material, proibiu sua divulgação em qualquer plataforma e ordenou à emissora que preservasse arquivos, registros de edição, contratos e comunicações internas relacionados à produção. A decisão prevê multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
Ao comentar a iniciativa da Record, Adriana relembrou as duas tentativas de assassinato sofridas por Maria da Penha em 1983. No primeiro ataque, ela foi baleada nas costas enquanto dormia e ficou paraplégica. Depois, segundo seu relato reconhecido no processo, Marco Antônio tentou eletrocutá-la durante o banho. Ele acabou condenado por tentativa de homicídio e cumpriu cerca de dois anos de prisão.
“Maria da Penha tem que ser honrada todos os dias no nosso país”, afirmou Adriana. A jornalista destacou que a luta da farmacêutica depois dos crimes se transformou em um marco no enfrentamento à violência doméstica. “Fez da dor, luta e vitória. Da coragem dela nasceu uma lei que protege todas nós, mulheres, contra a violência doméstica.”
Band acaba de detonar Record ao vivo por dar espaço ao ex-marido de Maria da Penha.
“Qual o interesse jornalístico em dar voz a um sujeito desses? Que prazer sádico é esse? Dar palco para o criminoso que tentou matá-la duas vezes é banalizar a vida.” pic.twitter.com/vpVzidKi7e
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) August 10, 2026
O caso de Maria da Penha chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que responsabilizou o Brasil por negligência e omissão diante da violência doméstica. A mobilização em torno de sua história contribuiu para a criação da Lei 11.340, sancionada por Lula em 7 de agosto de 2006 e batizada com o nome da ativista.
Adriana encerrou a crítica atacando diretamente a escolha editorial de oferecer espaço ao condenado para apresentar uma nova versão dos crimes. “Dar palco para o criminoso que tentou matá-la duas vezes é banalizar a vida”, afirmou.